Alta do diesel nos EUA e Europa expõe custos fiscais da transição energética

Preço do combustível subiu 78% nos Estados Unidos entre janeiro e outubro, enquanto conflitos no Oriente Médio afetam oferta de derivados de petróleo

Alta do diesel nos EUA e Europa expõe custos fiscais da transição energética
Bombas de petróleo em campo perto de Calgary, Alberta, Canadá. Foto: REUTERS/Todd Korol

Diferença entre preço do petróleo e diesel mostra por que a transição energética também é uma questão fiscal, a menos de um mês da COP31

A menos de um mês da COP31, a disparidade entre os preços do petróleo bruto e do diesel revela por que a transição energética também é uma questão fiscal. O petróleo Brent encerrou terça-feira (13) a US$ 105,69 por barril, queda de 0,9%, segundo a Reuters.

Nos Estados Unidos, o preço médio do diesel ao consumidor subiu 78% entre 5 de janeiro e 5 de outubro, de US$ 3,477 para US$ 6,199 por galão, conforme dados da AIE (Administração de Informação de Energia). Na União Europeia, o aumento foi de 39%, de € 1,54 para € 2,15 por litro, segundo o boletim semanal da Comissão Europeia.

A expectativa de maior oferta de diesel russo aliviou as pressões sobre o preço do petróleo bruto, mas não resolveu a escassez de combustíveis refinados. Os dados refletem preços com tributos e estruturas de mercado diferentes entre os dois blocos econômicos. Impostos fixos ajudaram a amortecer a alta percentual europeia, segundo a análise consultada.

Os conflitos geopolíticos impedem a produção de derivados. Na guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, oleodutos sauditas e emiradenses recompuseram exportações de petróleo bruto. A consultoria Kpler estima que 40% do volume exportado pelo Golfo, excluído o Irã, contorna o Estreito de Ormuz, ante 17% antes do conflito.

O gargalo está precisamente nos derivados. Segundo dados da Kpler, o fluxo de combustíveis refinados pelo estreito caiu de 3,6 milhões para cerca de 677 mil barris diários, na comparação com o período anterior à guerra. Petróleo bruto disponível não garante diesel.

A guerra entre Rússia e Ucrânia amplia essa distorção. Washington flexibilizou restrições ao diesel russo para aliviar a oferta global. O presidente Trump anunciou um cessar-fogo para ataques a instalações energéticas, mas Kiev relatou novos bombardeios nessas estruturas. O abastecimento doméstico continua dominando as decisões de política energética.

É nesse cenário que a União Europeia propõe acelerar a implementação das metas nacionais de redução de emissões. Segundo minuta vista pela Reuters, o bloco não prevê novos compromissos de financiamento climático na COP31. Não se trata de cancelar desembolsos já assumidos, mas sim de cobrar investimentos adicionais de economias com crédito mais caro sem oferecer novos meios para viabilizá-los.

A COP29 estabeleceu a mobilização de ao menos US$ 300 bilhões anuais até 2035, sob liderança dos países desenvolvidos. O acordo também prevê esforços para ampliar o financiamento climático aos países em desenvolvimento para US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, incluindo recursos públicos e privados. Para adaptação, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima necessidades de US$ 310 bilhões por ano em 2035; o financiamento público internacional somou US$ 26 bilhões em 2023.