CBOT registra queda semanal enquanto dólar valorizado e estoques mundiais limitam retomada de cotações no mercado doméstico

Soja e milho caem na CBOT com chegada da safra americana e estoques mundiais recompostos; câmbio abaixo de R$ 5,10 limita exportações
A soja e o milho enfrentaram sessões pesadas na Bolsa de Chicago ao longo da semana encerrada em 16 de outubro, pressionados pela volumosa produção americana e recomposição de estoques mundiais.
Segundo Victor Cazzo, consultor de mercado da consultoria Venda na Hora Certa, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou dados que expressivamente aumentaram as projeções globais de oferta. “É muito milho. O relatório de estoques trimestrais já trouxe estoques muito elevados, adicionando pelo menos 4 milhões de toneladas a mais na oferta e demanda global. Isso fez o milho cair mais de 4% em Chicago e pesou na B3, acionando gatilhos de venda”, explicou Cazzo.
O fechamento de estoques trimestrais divulgado pelo USDA em 30 de setembro evidenciou níveis mais altos do que esperado, intensificando as quedas consecutivas registradas no mercado de milho nas duas semanas anteriores. A pressão nos derivados se estendeu à soja, limitando recuperações mais robustas nas cotações.
A valorização do real frente ao dólar impactou diretamente os preços em moeda nacional nos portos e nas praças do interior brasileiro. Cazzo pontuou que o câmbio abaixo de R$ 5,00 a R$ 5,10 prejudica o ritmo das exportações e limita repiques expressivos de preços no mercado doméstico, reduzindo a competitividade das vendas internacionais.
O desenvolvimento do plantio da safra 2023/24 no Brasil também permaneceu no radar dos operadores de mercado. O padrão do fenômeno climático El Niño causou disparidades severas entre as regiões produtoras. Enquanto o Paraná e o Rio Grande do Sul registravam excesso contínuo de precipitações que prejudicava o avanço das máquinas, o Centro-Oeste enfrentava altas temperaturas e tempo seco.
A chegada de chuvas recentes em Mato Grosso, contudo, destravou o ritmo de plantio de soja e trouxe alívio aos produtores que aguardavam umidade. O avanço da semeadura em ritmo acelerado nas regiões afetadas pela estiagem exigiu cautela dos analistas quanto aos próximos desdobramentos climáticos e à produtividade final da safra.






