Paraná possui concentrações significativas de terras raras, aponta Serviço Geológico

Serviço Geológico do Brasil identificou teores superiores a 8 mil ppm no Cinturão do Ribeira, região que atrai interesse de empresas australianas.

Paraná possui concentrações significativas de terras raras, aponta Serviço Geológico
Foram identificados neodímio e térbio no Paraná. Foto: Renata Stugar/AEN/Imagem ilustrativa

Serviço Geológico do Brasil identificou teores superiores a 8 mil ppm de terras raras no Cinturão do Ribeira. Empresas australianas já fazem sondagens na região.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB), vinculado ao Ministério de Minas e Energia, identificou áreas com concentrações expressivas de elementos de terras raras no Paraná, sendo estudadas em municípios como Cerro Azul, Tunas do Paraná, Castro, Carambeí e Tijucas do Sul, no Cinturão do Ribeira.

As amostras coletadas apresentaram teores superiores a 8 mil partes por milhão (ppm), o que equivale a mais de 8 gramas desses elementos por quilo de material analisado. Entre os elementos identificados estão o neodímio e o térbio, dois dos 17 elementos com propriedades magnéticas, elétricas, luminescentes e ópticas que formam as chamadas terras raras.

Esses elementos são utilizados em tecnologias como superímãs, motores de carros elétricos, turbinas eólicas, drones, smartphones e equipamentos médicos. Embora existam em vários locais da crosta terrestre e não sejam considerados raros, é difícil encontrá-los em quantidades comerciais que viabilizem a extração, separação e beneficiamento.

“Elas estão entre os recursos mais estratégicos do planeta, devido à transição energética e à corrida tecnológica global”, afirma Abdel Hach, engenheiro geólogo e professor do UniCuritiba.

Os dados no Paraná são promissores, mas para confirmar se o Estado entrará no radar global de exploração de terras raras é necessário aguardar mais resultados. A presença dos minerais em amostras não significa necessariamente a existência de uma quantidade economicamente viável.

“Esses valores indicam um enriquecimento mineral relevante que justifica um estudo mais detalhado. Ainda serão necessárias campanhas de sondagem, avaliações metalúrgicas, estudos ambientais e análise de viabilidade econômica antes de confirmar se pode haver exploração”, explica Hach.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) informou que há duas empresas australianas realizando atividades de sondagem inicial e reconhecimento em áreas do Cinturão do Ribeira. A holding Union Star Metals, por meio da subsidiária Scanty Mineração, detém os projetos Cerro Azul, no município de mesmo nome, e Granito Carambeí, nos municípios de Carambeí e Ponta Grossa. Antes de qualquer exploração efetiva, ainda são necessários mais estudos e aprovações regulatórias.