Enquanto o Sul sofre com precipitações que prejudicam colheita do trigo, Centro-Oeste monitora recuperação da umidade do solo após estiagem.

Fortes contrastes climáticos marcam o início dos trabalhos de campo para a safra 2026/27. Sul enfrenta excesso de precipitação; Centro-Oeste monitora recuperação da umidade.
O início dos trabalhos de campo para a safra 2026/27 é marcado por fortes contrastes climáticos no Brasil. Enquanto o excesso de precipitação afeta áreas do Sul e dificulta o manejo das lavouras, produtores do Centro-Oeste e do Matopiba monitoram a lenta recuperação da umidade do solo após um período prolongado de estiagem nos meses de inverno.
Nas regiões produtoras do Sul do país, sob influência direta do fenômeno El Niño, os elevados volumes de chuva têm sido o principal obstáculo. De acordo com Felippe Reis, analista de safra da EarthDaily Agro, a situação no Paraná e no Rio Grande do Sul demanda atenção redobrada, especialmente para a reta final da colheita do trigo e o estabelecimento das lavouras de verão, como soja e milho primeira safra.
O excesso de água no perfil do solo, associado à alta nebulosidade e consequente baixa incidência de radiação solar, pode prejudicar a emergência uniforme das plantas e elevar o risco de proliferação de doenças fúngicas. No caso do trigo, as chuvas recorrentes ameaçam a qualidade dos grãos e diminuem o potencial produtivo das lavouras que ainda aguardam colheita.
No Centro-Oeste, principalmente em Mato Grosso e Goiás, o desafio se dá no ritmo de reconstituição da umidade do solo. Após um período seco expressivo em julho e agosto, as precipitações registradas no início da primavera encontram resistência para penetrar no solo compactado pela estiagem.
Reis apontou que, embora o volume acumulado de chuva esteja próximo da média em algumas regiões, o déficit hídrico ainda se faz presente no leste e em faixas do oeste mato-grossense. A expectativa é de que a umidade do solo apresente recuperação mais consistente a partir do final de outubro e início de novembro.
O analista ressaltou a importância de agilizar a semeadura da soja assim que as condições permitirem, a fim de evitar que o milho segunda safra seja plantado fora da janela ideal e fique vulnerável à estiagem típica do fim do ciclo das águas em anos de El Niño.






