ONU questiona atuação da Meta nas eleições brasileiras de 2026

Especialistas pedem investigação sobre moderação desproporcional de conteúdos políticos nas plataformas da empresa

ONU questiona atuação da Meta nas eleições brasileiras de 2026
Logotipo da Meta. Foto: Reuters/Benoit Tessier — Foto: Logotipo da Meta  • 12 de junho de 2025REUTERS/Benoit Tessier

Especialistas independentes da ONU questionaram a atuação da Meta nas eleições brasileiras e pedem investigação sobre restrições desproporcionais

Especialistas independentes da ONU (Organização das Nações Unidas) questionaram nesta quarta-feira (21) a atuação da Meta nas eleições brasileiras de 2026. Em nota divulgada, o grupo cobra que a empresa investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos ligados a um dos lados da disputa eleitoral.

Os especialistas pediram que a Meta forneça explicações e mecanismos de reparação adequados, aplique as regras de forma consistente e sem discriminação, mantenha um diálogo transparente com a sociedade civil e garanta que reclamações possam ser tratadas durante o período eleitoral.

Segundo o grupo, há preocupações sobre liberdade de expressão, participação política e igualdade de tratamento entre diferentes posições políticas depois de relatos de limitações à expressão política nas plataformas da Meta, que incluem Facebook, Instagram e WhatsApp.

Os especialistas relataram incidentes como interrupções temporárias de conta de campanha de um dos candidatos, diferenças no engajamento do público nos feeds dos usuários, na contagem de visualizações e no alcance, restrições a publicações da campanha no Instagram e diferenças entre os principais partidos políticos na geração de imagens por inteligência artificial.

Também foram identificadas discrepâncias nos resultados de busca de canais do WhatsApp, nos stories dos candidatos e na distribuição de conteúdo político, potencialmente favorecendo a campanha do candidato oposto, segundo os observadores.

“Plataformas online são atores fundamentais no debate democrático. Impedir que as pessoas se expressem ou alcancem audiências sem explicação afeta quem é ouvido”, disseram os especialistas independentes, que trabalham voluntariamente e não são funcionários da ONU nem recebem salário.

Os observadores afirmam que relatórios de monitoramento mostram que milhares de contas e publicações foram suspensas, tiveram redução de visibilidade e limitações de compartilhamento, incluindo jornalistas, defensores de direitos humanos, atores da sociedade civil e criadores de conteúdo.

“Informações, inclusive de funcionários da Meta, sugerem que contas vinculadas a um dos lados da disputa presidencial foram afetadas de forma desproporcional”, declara a nota publicada nesta quarta-feira.

Os especialistas também alertaram que tais restrições podem afetar o acesso à informação, a liberdade de reunião pacífica e de associação, além de comprometer as eleições quando “as liberdades fundamentais não são respeitadas durante todo o processo eleitoral”.