Advogados divulgam manifesto pedindo derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno

Grupo de mais de cem juristas e ex-ministros assina documento quatro dias antes da votação de domingo contra candidato que teve 47,03% no primeiro turno

Advogados divulgam manifesto pedindo derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno
Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao segundo turno presidencial. Foto: Vittor Sales — Flávio Bolsonaro. Foto: Vittor Sales

Grupo Prerrogativas, SASP e mais de cem advogados, professores de Direito e ex-ministros assinam manifesto pedindo união democrática contra candidatura de Flávio Bolsonaro

Um grupo de advogados, professores de Direito, ex-ministros e dirigentes de entidades da advocacia divulgou manifesto datado de 15 de outubro de 2026 pedindo a união das forças democráticas para derrotar nas urnas a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno presidencial contra Lula (PT), marcado para 25 de outubro.

No primeiro turno, realizado no domingo anterior, Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo dados da apuração da Justiça Eleitoral.

O documento é assinado pelo Grupo Prerrogativas, pelo Sindicato dos Advogados de São Paulo (SASP) e por mais de cem nomes. Entre os signatários estão os ex-ministros da Justiça Tarso Genro e José Eduardo Martins Cardozo, os ex-presidentes nacionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Cezar Britto e Felipe Santa Cruz, o ex-advogado-geral da União Alvaro Augusto Ribeiro e o deputado federal Orlando Silva.

Segundo o manifesto, a eleição representa uma escolha entre a preservação da ordem constitucional e “um projeto de arbítrio, violência política e regressão social”. Os signatários afirmam que o bolsonarismo é “essencialmente antidemocrático” e que adota, como método de governo, a ameaça permanente de golpe de Estado.

Na parte econômica, o documento sustenta que Bolsonaro planeja um corte de R$ 250 bilhões em gastos públicos. Segundo os autores, isso implicaria o fim da política de ganhos reais do salário-mínimo, a desvinculação de aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além da revogação dos pisos constitucionais de saúde, fixado em 15% da receita corrente líquida, e de educação, em 18% da receita líquida de impostos.

O manifesto afirma que Flávio Bolsonaro “declarou que vai alterar a Constituição” e que pretende impor uma Carta voltada ao mercado, com cortes de direitos econômicos e sociais. Os signatários também associam o candidato a um “tesouraço”, expressão utilizada para descrever um corte de direitos, e dizem que ele tenta esconder esse objetivo.

Os governos Lula são citados no documento como prova de responsabilidade fiscal. O espaço para resposta da campanha de Flávio Bolsonaro permanece aberto.