França pode pagar 147 bilhões de euros em juros da dívida em 2036

Simulação de economista mostra impacto de taxas elevadas. Dívida pública francesa já representa 119% do PIB.

França pode pagar 147 bilhões de euros em juros da dívida em 2036
A dívida pública francesa representa 119% do PIB

Simulação aponta que despesa com juros pode alcançar €147 bilhões em 2036 se as taxas de emissão se mantiverem em 4,8%.

A França pode pagar €147 bilhões em juros da dívida pública em 2036 caso as taxas de emissão de títulos se mantenham nos níveis atuais de 4,8% ao ano, segundo simulação apresentada por economista especializado em finanças públicas.

Atualmente, a dívida pública francesa representa 119% do PIB, enquanto o déficit previsto para 2026 é de 5,4%. O governo tenta aprovar um ajuste fiscal de €54 bilhões para 2027, mas enfrenta resistência política para implementar as medidas.

A despesa com juros deve aumentar significativamente nos próximos anos. De acordo com as projeções, o custo anual de juros passará de €79,2 bilhões em 2026 para €91,2 bilhões em 2027. O custo médio da dívida, atualmente em 2,2% ao ano, tende a subir conforme novas emissões ocorram próximo aos atuais 4,8%.

Apresentando risco crescente aos investidores, os títulos franceses de dez anos ofereciam rendimento de 4,79% ao ano em 16 de outubro, próximo aos níveis registrados durante a crise financeira de 2008. No início do mês, as taxas chegaram a superar 4,9%, atingindo os maiores patamares desde 2002.

O diferencial entre os rendimentos dos títulos franceses e alemães, considerados referência na zona do euro, alcançou 1,4 ponto percentual, contra 0,85 ponto no começo de setembro, indicando maior percepção de risco pelos investidores internacionais.

Com aproximadamente 12% do estoque de dívida precisando ser refinanciado anualmente, a França enfrenta pressão contínua para refinanciar suas obrigações a taxas mais elevadas. A permanência das taxas elevadas pode dificultar o ajuste fiscal e ampliar as preocupações com a capacidade do país de estabilizar seu endividamento.

“O maior risco, portanto, não está em uma alta pontual dos juros, mas na permanência desse custo elevado. Quanto mais tempo os spreads permanecerem pressionados, maior será a parcela da dívida refinanciada a taxas superiores, dificultando o ajuste fiscal e alimentando novas preocupações sobre sua sustentabilidade.”