ONU alerta que próximo El Niño pode ter intensidade sem precedentes

Organização Meteorológica Mundial projeta aquecimento global de até 2,8°C até 2100 com políticas atuais

ONU alerta que próximo El Niño pode ter intensidade sem precedentes
El Niño pode atingir intensidade excepcional e superar padrões das últimas quatro décadas

ONU alerta que próximo episódio de El Niño pode superar padrões observados em décadas e intensificar ondas de calor, secas e inundações

O próximo episódio de El Niño pode atingir intensidade excepcional e superar os padrões observados nas últimas quatro décadas, com potencial para agravar os extremos climáticos em diferentes regiões do planeta, segundo alerta de Celeste Saulo, secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo Saulo, o fenômeno pode intensificar ondas de calor e alterar os padrões de chuva, favorecendo a ocorrência de secas severas em algumas áreas e inundações em outras. Os impactos dependerão da distribuição regional das mudanças nas temperaturas e nas precipitações.

O alerta ocorre em meio a novas projeções da ONU que apontam para um aquecimento global mais intenso do que o estimado anteriormente, mesmo diante da expansão das energias renováveis e das políticas adotadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado nesta quarta-feira (22), projeta que a temperatura média global poderá subir 2,8°C até o fim do século caso sejam mantidas as políticas climáticas atuais. Se os países cumprirem integralmente os compromissos climáticos já assumidos, a elevação estimada será de 2,6°C. As duas projeções são superiores às divulgadas no relatório do ano passado.

O documento aponta que, mesmo no cenário mais otimista considerado, o aquecimento deverá superar temporariamente o limite de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, com a possibilidade de as temperaturas médias atingirem entre 1,7°C e 1,8°C acima desse patamar até meados do século.

Para reduzir os riscos, o Pnuma estima que as emissões globais de gases de efeito estufa precisariam cair 18% em relação aos níveis de 2025 até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040. Os compromissos climáticos apresentados pelos países, no entanto, indicam reduções de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035, segundo o organismo.