Soja ganha força enquanto trigo e milho caem no mercado de grãos

Compras chinesas de soja norte-americana e pressão russa sobre trigo definem movimento dos preços nesta sexta-feira

Soja ganha força enquanto trigo e milho caem no mercado de grãos
Escoamento russo pelo Mar Báltico pressiona cotações de trigo em Chicago

Mercado de grãos abre com soja em alta por demanda chinesa, enquanto trigo sofre pressão de exportações russas e milho cai pela safra americana robusta.

O mercado de grãos iniciou sexta-feira (23) com pressão sobre trigo e milho, enquanto a soja recebeu apoio de sinais de demanda externa. De acordo com a TF Agroeconômica, a abertura dos mercados reflete o peso da oferta global, das compras chinesas e das condições de exportação.

No trigo, o escoamento russo pelo Mar Báltico continua pressionando as cotações em Chicago. A Abitrigo estima importações de 9 milhões de toneladas nesta temporada, diante da baixa qualidade de parte da safra nacional. Com isso, a tendência é de preços alinhados à paridade de importação, enquanto o trigo estrangeiro já aparece mais barato que algumas ofertas de produto tipo 1 no Rio Grande do Sul.

Na Argentina, a produção de trigo pode chegar a 23,8 milhões de toneladas, a segunda maior dos últimos 17 anos, aumentando a pressão competitiva no mercado global.

A soja encontra sustentação em informações de mercado sobre compras norte-americanas por empresas chinesas. Conforme relatos de mercado, a Cofco teria adquirido 18 carregamentos nesta semana, enquanto a Sinograin teria atuado nos contratos futuros para fixar preços. Os prêmios de exportação da soja brasileira subiram cinco centavos de dólar por bushel.

As previsões de chuva para o centro e sul do Brasil e partes da Argentina também entram no radar dos operadores, assim como a redução das posições próximas do vencimento em Chicago.

O milho abriu em baixa, pressionado pela segunda maior safra dos Estados Unidos. Apesar das perdas de produção na Europa, a demanda vem sendo parcialmente atendida pela Ucrânia. No Brasil, a oferta superior à procura mantém os compradores cautelosos e limita os negócios, em cenário de exportações mais lentas.

O dólar futuro estava em R$ 5,0445, com leve alta de 0,01%, enquanto o petróleo Brent avançava 1,47%, a US$ 114,57, movimento potencialmente favorável aos ativos agrícolas.