Queda foi puxada por energia e passagens aéreas, mas núcleos seguem sob pressão, dizem economistas

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 registrou alta de 0,32% em outubro, abaixo da projeção do mercado de 0,44%, mas acumulado de 12 meses atingiu 4,62%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,32% em outubro, desacelerando em relação aos 0,70% de setembro e permanecendo abaixo da projeção do mercado, que era de um avanço em torno de 0,44%.
No acumulado de 12 meses, contudo, a inflação passou de 4,47% para 4,62%, ultrapassando o teto da meta de inflação, que é 4,5%.
Para economistas, a desaceleração mensal esconde uma deterioração qualitativa da inflação. O resultado foi puxado para baixo por itens de alta volatilidade e não por uma tendência de queda geral de preços.
A queda foi impulsionada pelos preços de energia elétrica e passagens aéreas. Os preços de energia elétrica recuaram 0,89%, ante alta de 7,42% no mês anterior, devido à mudança da bandeira tarifária. Passagens aéreas recuaram 9,24%, o que foi considerado pelos economistas uma reversão da alta acumulada em setembro, quando o item subiu 9,82%.
Além disso, os núcleos de inflação e os preços essenciais à rotina do consumidor seguem sob forte pressão. A XP, que projetava uma alta de 0,43% para o IPCA-15, destaca que a composição interna do dado de outubro foi “pior do que o headline sugere”, segundo a economista Basiliki Litvac.
Litvac ressalta que a inflação de serviços piorou em outubro, tanto nas medidas de núcleo quanto nos serviços intensivos em trabalho, que aceleraram de forma sequencial e anual.
“Em nossa visão, a combinação de demanda doméstica resiliente e condições ainda apertadas do mercado de trabalho segue pressionando os componentes mais inerciais da cesta, e esse continua sendo o principal ponto de atenção à frente.”
Excluindo os itens voláteis, o que os dados do IPCA-15 mostram é uma economia com tensões inflacionárias persistentes e cada vez mais espalhadas. O índice de difusão, que mede o espalhamento dos aumentos de preços por diferentes setores, avançou de 53,7% para 58,86% em outubro.
O resultado não deve mudar a perspectiva de corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), mas pode indicar pausa futura no ciclo de calibração das taxas.







