TSE cobra relatório da Meta sobre canal pró-Lula em investigação eleitoral

Ministro Kassio Nunes Marques deu prazo de 24 horas para empresa explicar atuação do 'Exército do Lula', administrado por deputado federal

TSE cobra relatório da Meta sobre canal pró-Lula em investigação eleitoral
Debate discutiu influência de big techs no processo eleitoral brasileiro. Foto: Judiciário e Big Techs levam dupla insegurança à eleição, diz especialista

TSE intima Meta a apresentar relatório técnico sobre atuação do canal 'Exército do Lula' em 24 horas, após demanda da campanha de Flávio Bolsonaro.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, deu prazo de 24 horas para que a Meta entregue relatório técnico sobre a atuação do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A determinação atende a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que busca verificar se a empresa cumpriu o plano de conformidade entregue à Justiça Eleitoral.

O Ministério Público também apontou falhas no tratamento dado pela Meta às campanhas eleitorais. A ação do TSE retoma o debate sobre o poder das grandes empresas de tecnologia sobre o processo eleitoral brasileiro.

Em debate realizado na quinta-feira (21) no programa “O Grande Debate” da CNN Brasil, o comentarista José Eduardo Cardozo afirmou categoricamente que as big techs têm poder de influenciar eleições. Segundo ele, as plataformas possuem capacidade de remover conteúdo e campanhas, mas raramente assumem responsabilidade direta.

“É evidente que sim. Hoje, boa parte das eleições é feita pelas redes sociais. E essas empresas têm um poder impressionante e tremendo.”

Cardozo ressaltou que o problema se agrava quando as falhas técnicas parecem ocorrer sistematicamente apenas de um lado do espectro político. O comentarista classificou a situação como uma ameaça à soberania do país.

“É uma interferência empresarial indevida que pode influenciar a eleição de um presidente da República. Uma ofensa, inclusive, à nossa soberania, sob diversos aspectos.”

O empresário Leonardo Bortoletto, também presente no debate, reconheceu o potencial das big techs de influenciar eleições, argumentando que toda concentração de poder pode alterar resultados.

“Seria impensável dizer que as big techs em 2026, com a concentração de poder que têm, não podem influenciar uma eleição.”

Bortoletto citou episódio de 2014, quando foi registrada em reunião interna do Partido dos Trabalhadores uma declaração sobre atuação de funcionários dos Correios em favor da ex-presidente Dilma Rousseff, então candidata do PT, na disputa contra Aécio Neves. A menção ilustra precedentes de possível interferência em processos eleitorais por instituições com poder de influência.