Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro termina sem vencedor claro na Globo

Presidente dominou agenda de direitos sociais; senador focou em endividamento e custo de vida. Votação ocorre no domingo.

Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro termina sem vencedor claro na Globo
Lula e Flávio Bolsonaro durante debate na TV Globo em 23 de outubro de 2026 — Foto: reprodução/redes sociais

Debate entre Lula e Flávio Bolsonaro terminou sem vencedor claro. Presidente impôs agenda de direitos sociais; senador focou em endividamento.

O debate entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado na noite de 23 de outubro de 2026 pela TV Globo, terminou sem um vencedor claro. Lula impôs a agenda dos direitos sociais e do balanço do governo Jair Bolsonaro; Flávio Bolsonaro focou em endividamento, custo de vida e segurança. A votação está marcada para o domingo (25).

No primeiro bloco, Lula levou vantagem. Flávio Bolsonaro titubeou ao responder sobre infraestrutura, sem apresentar custo ou prazo para as ferrovias prometidas. Lula confrontou o senador sobre o salário mínimo, arrancando duas vezes o compromisso de reajuste acima da inflação. Um trocadilho de Flávio Bolsonaro sobre a deficiência física de Lula criou o episódio que marcaria toda a noite e desviou o debate das propostas.

No segundo bloco, Lula ganhou no confronto moral. Elevou o tom, chamou Flávio Bolsonaro de “miliciano” e exigiu desculpas pelo trocadilho. O senador recuou e pediu perdão, em movimento que reconheceu o erro sem deixar de lado o programa. Devolveu cobranças sobre moradores de rua, Bolsa Família e endividados. A palavra “miliciano”, porém, é o tipo de ataque que fixa imagem e pode cobrar preço no eleitorado que rejeita radicalização.

No terceiro bloco, os candidatos empataram. Flávio Bolsonaro encontrou seu melhor momento ao abrir o tema do endividamento com “prometeu picanha e entregou abóbora” e ao levar a discussão para o bolso do eleitor. Lula respondeu com o Desenrola e com o caso de Ana Clara, que produziu a cena mais grave da noite: a mãe da menina de 5 anos no estúdio e a cobrança sobre o julgamento do policial.

No quarto bloco, os dois se feriram. Lula cobrou explicações sobre a ilha de R$ 10 milhões de Richarlison. Flávio Bolsonaro negou envolvimento e devolveu com o whisky de R$ 500 mil e o Banco Master. A troca terminou em acusações mútuas de corrupção e patrimônio oculto, sem que nenhum apresentasse prova nova no palco.

O formato também pesou. O primeiro bloco, com temas regionais e infraestrutura, favoreceu Lula, que tinha obras para listar. O quarto, de tema livre, virou ringue: sem mediação temática, os candidatos foram para o ataque pessoal e confronto sobre processos e patrimônio.

O balanço do debate depende da percepção do eleitor. Para quem já votava em Lula, o presidente venceu ao lembrar o passado do governo Bolsonaro e ao arrancar compromissos. Para quem votava em Flávio Bolsonaro, o senador saiu vitorioso ao expor o endividamento e o custo de vida.