Barril Brent superou US$ 116 nesta sexta-feira, maior patamar desde maio, refletindo antecipação do mercado a possível conflito escalado

Barril Brent superou US$ 116 nesta sexta-feira (23), maior nível desde maio, impulsionado por temor a escalada do conflito com o Irã pós-eleições americanas.
O barril de petróleo Brent, referência internacional, superou US$ 116 nesta sexta-feira (23 de outubro), atingindo o maior patamar desde maio. O petróleo americano WTI opera na casa dos US$ 105. O Brent acumula alta superior a 80% em 2026.
A escalada não reflete uma interrupção de fornecimento em curso, mas a antecipação do mercado financeiro a possíveis eventos futuros. Segundo reportagens da imprensa americana, os Estados Unidos teriam elaborado planos para retomar ataques contra o Irã após as eleições de meio de mandato americanas, marcadas para 3 de novembro.
O presidente Donald Trump afirma que não atacará antes da eleição. Trump sugere que os combustíveis ficarão mais baratos depois do pleito. O mercado, porém, enxerga o risco de que o conflito, que já dura meses, entre em uma nova fase.
Parte dessa alta reflete o chamado “prêmio de risco”, ou seja, o valor extra que o mercado cobra pela possibilidade de um choque de oferta, e não necessariamente uma escassez já em curso. Trump afirma que o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial, está acima do nível anterior à guerra. Trump acusa o Irã de exagerar ataques para pressionar os preços.
O petróleo é a base de custo de quase tudo. Quando o combustível sobe, tudo sobe: frete, alimentos, energia, passagens. Esse efeito pressiona a inflação e corrói o poder de compra das famílias.
Em setembro, houve a elevação dos juros pelo Federal Reserve pela primeira vez desde 2023. A alta da energia reforça a expectativa de que novos aumentos possam vir ainda neste ano. A próxima reunião do comitê do banco central americano acontece nos dias 27 e 28 de outubro.
Juros mais altos encarecem o crédito e tornam a renda fixa mais atrativa frente a ativos arriscados, como ações de tecnologia e criptomoedas. Petróleo caro alimenta a inflação, a inflação limita o Federal Reserve e juros altos pesam sobre os ativos de risco.






