Senador desembarcou em Miami com passaporte italiano cancelado, descumprindo ordem do STF de não sair do país

Senador divulgou carta em que se apresenta como presidente eleito e acusa STF de aparelhamento petista após deixar o Brasil rumo aos EUA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira, 28 de outubro, uma carta em que se apresenta como “presidente eleito” e afirma que o Supremo Tribunal Federal está “aparelhado pela organização criminosa petista”. O texto circulou por aliados horas após o senador desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, com a esposa e duas filhas, descumprindo ordem do ministro Alexandre de Moraes.
“Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado”, afirma Bolsonaro na carta.
Segundo o senador, a perseguição política “começou com meu pai” e que o objetivo é “silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil”. A carta descreve o que ele chama de roteiro da perseguição: “apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política”. Bolsonaro sustenta que não existe mandado de prisão contra ele e agradece ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo acolhimento da família.
A peça gráfica da carta traz um detalhe: o brasão reproduz a grafia antiga “Brazil”, com z, e não “Brasil”.
Segundo consulta ao sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), Flávio Bolsonaro entrou no país com o passaporte diplomático cancelado. Para deixar a Argentina, usou o passaporte italiano, concedido em 2023, durante o governo de Giorgia Meloni. A Polícia Federal informou que os passaportes comum e diplomático foram cancelados após a decisão de Moraes de 26 de outubro. O senador foi intimado na manhã de 26 de outubro a entregar eventuais passaportes de outras nacionalidades no prazo de 24 horas e não entregou nenhum.
O despacho de Moraes, assinado em 26 de outubro, sustenta que a proibição de deixar o país era “consequência lógica e natural do cancelamento e entrega de passaportes” diante do “risco concreto de evasão do território nacional”. O ministro classificou as cautelares como proporcionais e menos gravosas do que a prisão preventiva.
O desembarque em Miami ocorreu às 10h24. O trajeto evitou o espaço aéreo brasileiro e teve escala em Guayaquil, no Equador. A Polícia Federal avalia pedir a prisão preventiva do senador.







