Dólar fecha no maior valor do ano após reeleição de Lula

Moeda norte-americana sobe 1,09% para R$ 5,4460 na sexta-feira e acumula valorização de 9,15% na semana pós-eleição

Dólar fecha no maior valor do ano após reeleição de Lula
Dólar fecha semana com forte valorização após resultado das eleições

Dólar fecha a sexta-feira a R$ 5,4460, maior cotação de fechamento do ano, pressionado pela reeleição de Lula e incertezas sobre política fiscal

O dólar fechou a sexta-feira com alta superior a 1% e próximo dos R$ 5,45, novamente pressionado pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos receios com o futuro da política fiscal no Brasil.

A moeda norte-americana à vista encerrou a sessão com alta de 1,09%, a R$ 5,4460, conforme a Reuters. Essa foi a maior cotação de fechamento registrada em 2026.

O saldo da semana após o segundo turno foi de valorização de 9,15% do dólar ante o real. Em outubro, o dólar à vista acumulou ganho de 5,27%.

Às 17h12, o dólar futuro para dezembro — que nesta sexta-feira passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,06% na B3, aos R$ 5,4730.

A primeira metade da sessão de sexta-feira foi marcada pela disputa em torno da formação da Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, tanto para alta quanto para baixa das cotações.

Em função dessa dinâmica, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão, especialmente nos horários próximos às janelas de coleta de valores pelo BC, às 10h, 11h, 12h e 13h. No início da tarde, o BC definiu a Ptax em R$ 5,4206 na compra e R$ 5,4212 na venda.

Além do fator técnico que influenciou as cotações, o mercado seguiu sensível aos desdobramentos da reeleição de Lula no último domingo, que surpreendeu o mercado e provocou a escalada do dólar ao longo da semana. Os investidores aguardam indicações sobre quem comandará em 2027 as principais pastas, como o Ministério da Fazenda, e detalles sobre a política fiscal do novo governo.

“Até o fim do período eleitoral, parcela expressiva do mercado financeiro operava posicionada para um cenário de vitória do candidato Flávio Bolsonaro, o que exigiu um ajuste imediato e intenso das carteiras após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Com a consolidação desse novo cenário, as atenções se voltaram para as incertezas sobre o futuro da política fiscal e a trajetória”, afirmou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

O movimento do dólar reflete a reordenação das posições dos agentes financeiros após resultado eleitoral que não estava precificado no mercado nas semanas anteriores ao pleito.