Lula promete empoderar Alcolumbre e Motta na montagem da base governista

Presidente quer concentrar ministérios em congressistas que votem com o governo na próxima legislatura

Lula promete empoderar Alcolumbre e Motta na montagem da base governista
Lula com Alcolumbre e Motta. Foto: Ricardo Stuckert

Em conversa de uma hora e quarenta minutos na segunda-feira, 26 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu empoderar os presidentes do Senado e da Câmara na montagem da base do novo mandato.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu empoderar os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), na montagem da base do novo mandato. A promessa foi feita em conversa de uma hora e quarenta minutos realizada na segunda-feira, 26 de outubro, um dia depois da eleição, e o relato chegou ao conhecimento público nesta sexta-feira, 30 de outubro.

O compromisso tem consequência prática para a estratégia governamental. Lula quer concentrar a entrega de ministérios em grupos de congressistas que efetivamente votem com o governo. No mandato que se encerra, partidos comandaram pastas e, na prática, votaram contra propostas de interesse do Executivo, se declararam independentes e apoiaram outras candidaturas presidenciais.

A estratégia segue a lógica de troca explícita: espaço no governo para quem entrega voto no plenário. O presidente informou aos dois que sabe das dificuldades que terá com o crescimento da direita no Congresso na próxima legislatura e que pretende montar uma frente ampla para isolar os radicais. O movimento também interessa ao centrão, que perdeu espaço para o PL na eleição.

Os três partidos do grupo indicaram predisposição para compor o governo desde o início. PP, Republicanos e União Brasil avaliam que a neutralidade no primeiro turno da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) permite entrar na Esplanada sem o constrangimento de 2022, quando apoiaram a candidatura de Jair Bolsonaro e demoraram a aderir ao governo petista.

Os nomes já circulam nos bastidores políticos. O Republicanos aponta o deputado Silvio Costa Filho (PE) como favorito para voltar à Esplanada. No União Brasil, o deputado Moses Rodrigues (CE) busca apoio dos colegas. No PP, aparecem o deputado Aguinaldo Ribeiro (PB) e a senadora Daniella Ribeiro (PB), tio e mãe do governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, da ala da sigla que mais se empenhou na campanha pela reeleição.

Nenhum espaço foi formalmente oferecido até 30 de outubro. A definição depende da distribuição de pastas e do tamanho que cada sigla terá na Câmara a partir de 2027. Na conversa, Lula pediu prioridade para a aprovação da proposta de emenda à Constituição da Segurança Pública, que dará à União poder para coordenar ações na área com estados e municípios. A PEC precede a criação de um ministério específico para o tema, uma das promessas da campanha presidencial.