Votação aprovou tratado que autoriza duas novas bases militares e sistema de defesa antimísseis nos territórios da ilha ártica.

Parlamento aprovou tratado que amplia atuação das Forças Armadas dos EUA na ilha ártica. Votação teve 16 votos favoráveis, nenhum contrário e sete abstenções.
O Parlamento da Groenlândia ratificou nesta terça-feira (3) o acordo de segurança da ilha ártica firmado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora integrantes de partidos de oposição tenham questionado os benefícios econômicos do tratado.
Os Estados Unidos, a Dinamarca e a Groenlândia assinaram o acordo em setembro, com o objetivo de pôr fim às tensões após as repetidas ameaças de Trump de assumir o controle da ilha, território autônomo dinamarquês de localização estratégica e rico em recursos minerais.
O tratado amplia a atuação das Forças Armadas dos Estados Unidos na Groenlândia, abrindo caminho para a construção de duas novas bases militares e para a implantação do sistema de defesa antimísseis “Domo Dourado”. Ao mesmo tempo, o acordo reafirma a soberania dinamarquesa e o direito dos groenlandeses à autodeterminação.
A maioria dos parlamentares já havia sinalizado apoio ao acordo durante um primeiro debate no mês passado. A votação desta terça-feira terminou com 16 votos favoráveis, nenhum contrário e sete abstenções.
Em janeiro, a Casa Branca afirmou que Trump estava discutindo opções para adquirir a Groenlândia, incluindo a possibilidade de recorrer às Forças Armadas dos Estados Unidos. A declaração alarmou governos europeus e desencadeou intensos esforços diplomáticos para amenizar a situação.
O ministro das Relações Exteriores da Groenlândia, Mute Egede, afirmou nesta terça-feira que a ratificação do acordo representa um passo importante para a ilha. “Precisamos aceitar que a paz e a estabilidade não são mais algo que podemos considerar garantido”, disse Egede aos parlamentares em Nuuk, pouco antes da votação.
O partido de oposição Naleraq, principal voz política em defesa da independência da Groenlândia, questionou os benefícios econômicos do acordo durante o debate. “Estamos buscando um acordo melhor, do qual possamos nos beneficiar quando nos tornarmos um Estado independente. Mas não obtivemos nenhum benefício econômico com este acordo”, afirmou o presidente do Naleraq, Pele Broberg.
O Parlamento da Dinamarca deve realizar a primeira leitura do projeto de lei em 11 de novembro, seguida de uma segunda leitura e de uma votação em 19 de novembro. O acordo executivo entrará em vigor assim que for ratificado pela Dinamarca e pela Groenlândia e não precisará de aprovação do Senado dos Estados Unidos.







