Recuperação limitada de importações americanas de bezerros mexicanos pode elevar preços e aumentar demanda por exportações brasileiras até 2031

Levantamento da Terra Investimentos indica que recuperação limitada do comércio de animais entre México e EUA pode encarecer boi americano e ampliar demanda de importação de carne até 2031
A Terra Investimentos divulgou nesta terça-feira (3) estudo com projeções do Instituto de Pesquisa em Políticas Alimentares e Agrícolas da Universidade do Missouri (FAPRI) sobre os efeitos de uma recuperação limitada das compras americanas de bovinos mexicanos.
Segundo a análise, um bezerro que deixa de cruzar a fronteira entre México e Estados Unidos não desaparece do mercado, mas muda de lugar na cadeia produtiva — mudança que afeta o preço do boi americano, o abastecimento de carne e as oportunidades para exportadores como o Brasil.
Os Estados Unidos importavam aproximadamente 1,2 milhão de bezerros por ano do México em 2023 e 2024, de acordo com o levantamento. Esses animais abasteciam a recria e a engorda americanas, complementando a oferta doméstica.
Em maio de 2025, o avanço da bicheira no México levou ao fechamento da fronteira para o gado como medida de proteção sanitária. O estudo registra uma reabertura parcial entre agosto e setembro de 2026, mas com um ritmo equivalente a aproximadamente 330 mil cabeças por ano.
Para confinadores americanos, a consequência é direta: menos animais disponíveis para reposição aumentam a disputa pelo gado que permanece no mercado. Para a indústria de abate, a restrição pode traduzir-se em menor disponibilidade de bovinos para abate mais adiante.
O estudo compara duas possibilidades para o período de 2027 a 2031. Na referência, as importações se recuperam gradualmente até superar 1,2 milhão de cabeças anuais. No cenário alternativo, permanecem próximas de 330 mil cabeças por ano.
Nesse segundo cenário, o fluxo de importações seria aproximadamente 50% menor em 2027 e quase 75% inferior entre 2028 e 2031, sempre em relação ao cenário de recuperação plena.
A diferença de disponibilidade de gado para abate cria pressão sobre os preços internos americanos e aumenta a necessidade de importação de carne processada. O Brasil, como maior exportador mundial de carne bovina, pode capturar parte dessa demanda adicional durante o período de 2027 a 2031, conforme indicado pelas projeções do FAPRI.







