Historiador da Temple University compara pleito de 2026 com eleições de 2010 e 2006, mas destaca que paralelos históricos servem apenas como guia

Professor de História dos Estados Unidos da Temple University analisa as midterms de 2026 e aponta que paralelos históricos não garantem previsibilidade dos resultados
O professor de História dos Estados Unidos da Temple University, Lucas de Souza Martins, analisou nesta terça-feira (3) os possíveis desdobramentos das eleições de meio de mandato americanas, conhecidas como midterms. Mariana Janjácomo, correspondente da CNN em Washington, entrevistou o especialista para discutir as consequências do pleito.
Marcos históricos como as eleições de 2010 são frequentemente utilizados para comparação com o pleito de 2026. Naquele ano, durante o governo de Barack Obama, o Partido Republicano, então na oposição, conquistou 63 cadeiras na Câmara dos Representantes e cerca de 700 cargos estaduais. Segundo alguns analistas, o cenário atual poderia representar um movimento semelhante, mas em sentido inverso, com os democratas ganhando força diante do governo.
Martins alertou, entretanto, que os paralelos históricos devem ser compreendidos como orientações, não como garantias de resultado. “As ondas vermelhas, as ondas que são também do Partido Democrata, elas são muito comuns na história dos Estados Unidos e os paralelos estão aí para servir como uma espécie de guia para cada um de nós”, afirmou o professor.
O professor citou as eleições de 2006 como exemplo adicional. Naquele ano, durante o governo de George W. Bush, os republicanos perderam o controle das duas casas do Congresso. Dois anos depois, o democrata Barack Obama venceu a disputa presidencial. De acordo com Martins, essa sequência demonstra que uma derrota nas eleições de meio de mandato não determina necessariamente o resultado da eleição presidencial seguinte.
“Não há uma definição concreta. A história mostra que os caminhos deste eleitorado podem ir para absolutamente qualquer lado”, destacou o historiador.
Caso os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Representantes e, possivelmente, no Senado, a dinâmica de poder em Washington deverá mudar de forma significativa, segundo análise de Martins. Historicamente, o Congresso americano detém prerrogativas mais amplas do que o presidente, embora o atual cenário político aponte para dinâmicas distintas.
Martin explicou que Donald Trump optou por uma posição diferente, impondo sua vontade a despeito do Congresso. “Donald Trump optou por uma posição diferente de impor sua vontade a despeito do Congresso, e ele tem sido, pelo menos até aqui, muito bem-sucedido em manter os seus aliados republicanos mais fiéis com relação a essas posturas”, observou o professor. Uma eventual maioria democrata nas duas casas alteraria essa dinâmica significativamente.






