Dólar fecha em alta com receios sobre agenda econômica do governo Lula

Moeda brasileira sobe 0,74% após notícia sobre encontro do presidente com economista que propõe novo regime monetário

Dólar fecha em alta com receios sobre agenda econômica do governo Lula
Dólar fechou em alta nesta terça-feira

O dólar à vista encerrou nesta terça-feira com elevação de 0,74%, a R$5,4863, em meio a preocupações do mercado com a agenda econômica do governo.

O dólar à vista encerrou nesta terça-feira (3) com elevação de 0,74%, a R$5,4863, em meio a preocupações do mercado doméstico sobre a agenda econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O mau humor dos investidores foi alimentado por notícia publicada na coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo a publicação, o presidente se encontraria com André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real. A informação gerou inquietação entre agentes financeiros.

André Lara Resende publicou recentemente um texto defendendo um novo regime monetário. A proposta incluiria redução programada e gradual da Selic para reduzir a dívida pública e ajustar as contas do governo sem grandes cortes de gastos. O plano também propõe o uso de parte das reservas internacionais para conter pressões sobre o real.

Analistas argumentam que a adoção de tais medidas poderia gerar efeito oposto ao esperado, pressionando ainda mais a inflação e impondo risco às reservas internacionais do país.

O real teve um dos piores desempenhos entre uma cesta de moedas globais nesta terça-feira, perdendo apenas para o peso mexicano.

Durante a manhã de terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan (PT-SP), disse que a proposta de Lara Resende tem “deficiências” e não está na mesa de discussão do governo. Durigan reforçou a defesa de um ajuste fiscal gradual.

“A proposta de Lara Resende tem deficiências e não está na mesa de discussão do governo”, afirmou o ministro da Fazenda.

Durigan também informou que ainda não teve a oportunidade de conversar com Lula sobre novas indicações para o Banco Central. Contudo, afirmou que as nomeações de novos diretores serão feitas com “rigor técnico” e com “diferentes perfis”.

Os agentes também se posicionavam nesta sessão para a decisão de juros do Copom, marcada para quarta-feira (4). A queda acentuada do mercado brasileiro após a reeleição de Lula turvou as perspectivas de crédito mais barato. A instituição fica na posição de ponderar os riscos de inflação contra os custos de financiamento dolorosamente altos.

A pesquisa Focus divulgada na manhã de terça-feira mostrou que os economistas consultados pelo Banco Central ainda esperam um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic.