Santiago Peña cumpre prisão domiciliar enquanto acusações de tráfico de influência são definidas. Ex-presidente do Banco Central também foi preso.

O presidente destituído do Paraguai, Santiago Peña, foi detido pela polícia na noite de sexta-feira (6) e permanecerá em prisão domiciliar.
O Ministério Público do Paraguai determinou a detenção do presidente destituído Santiago Peña na noite de sexta-feira (6). Peña permanecerá em prisão domiciliar até ser colocado à disposição do Ministério Público na Unidade Especializada de Crimes Econômicos e Anticorrupção.
A ordem também alcançou Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do país, que deverá permanecer detido em unidade a ser definida pelo Comando da Polícia Nacional.
Promotores que se posicionaram fora da casa de Peña em Assunção disseram que as acusações ainda estavam sendo definidas, mas poderiam incluir tráfico de influência. O Ministério Público informou que Peña não deve usar tornozeleira eletrônica por enquanto, com monitoramento realizado por agentes da polícia. Peña foi intimado a comparecer à promotoria na manhã de sábado (7).
A ordem foi assinada por promotores da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção e da Unidade Especializada em Crimes Informáticos. “As pessoas detidas deverão ser colocadas à disposição da autoridade competente dentro do prazo legal, com observância de seus direitos e garantias.”
A detenção ocorreu pouco tempo após o Senado paraguaio aprovar o impeachment de Peña com placar de 44 votos a favor e uma abstenção. Na quinta-feira (6), a Câmara dos Deputados já havia aprovado o impeachment do chefe de Estado.
A crise no Paraguai começou quando o banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3), após o Banco Central iniciar processo de liquidação ao constatar déficit em índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. O banco contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña, economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário da instituição financeira. A oposição acusou o presidente destituído de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central.







