Medidas visam profissionalizar árbitros e melhorar a formação no Brasil
CBF planeja melhorias na arbitragem para 2024, incluindo novo modelo de formação.
Em um debate significativo realizado na Câmara dos Deputados, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) detalhou seus planos para a arbitragem no futebol brasileiro. O presidente do Grupo de Trabalho da Arbitragem, Netto Góes, anunciou que a CBF pretende implementar, no próximo ano, medidas voltadas para aprimorar o desempenho dos árbitros e a formação desses profissionais. A proposta é que, em janeiro, os novos modelos de contrato de trabalho sejam finalizados, junto com a definição dos árbitros que farão parte do grupo inicial.
Góes enfatizou a importância de profissionalizar a atuação dos árbitros, afirmando que isso vai além da simples assinatura de carteira de trabalho. “A gente tem discutido modelos de contratos de profissionalização. É fundamental que a CBF tenha interesse em profissionalizar os árbitros”, destacou. O grupo de trabalho foi formado em outubro e tem como foco a formação dos árbitros, suas remunerações e a integração de novas tecnologias no esporte.
Propostas para a remuneração dos árbitros
Charles Hebert Cavalcante Ferreira, representante da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), expressou que a forma atual de remuneração, que é baseada no pagamento por jogo, é uma das principais preocupações da categoria. Ele ressaltou que, em caso de erros em suas atuações, os árbitros ficam sem receber. Ferreira sugeriu que a solução não está apenas na formalização da carteira de trabalho, mas sim na criação de contratos que garantam a remuneração dos profissionais. “O árbitro deve ter um contrato, seja anual ou semestral, e receber uma bonificação, como é feito nas grandes ligas do mundo”, afirmou.
O deputado Juninho do Pneu (União-RJ), que propôs o debate, apresentou o projeto de lei 3.303/2024 com o objetivo de formalizar a atuação dos árbitros. A proposta visa que os contratos sejam firmados com as entidades organizadoras das competições ou com as entidades de administração do desporto, garantindo assim uma estrutura mais sólida e segura para esses profissionais.
Necessidade de condições adequadas de trabalho
O vice-presidente da Comissão do Esporte, deputado Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), também destacou a importância de proporcionar aos árbitros as mesmas condições de preparação que são oferecidas aos atletas profissionais. Ele ressaltou que os árbitros devem ter acesso a treinamento psicológico, técnico e físico, de forma a estarem bem preparados para exercer suas funções com excelência.
Atualmente, o Brasil conta com 734 profissionais de arbitragem, dos quais 326 são árbitros e 408 assistentes. Infelizmente, apenas 134 desses profissionais são do sexo feminino, um dado que reflete a necessidade de incentivar a participação feminina na arbitragem. De acordo com a CBF, neste ano, os árbitros participaram de 2.730 partidas oficiais, demonstrando a relevância e a demanda por uma arbitragem qualificada e profissional.
A discussão sobre a arbitragem no futebol brasileiro é um passo importante rumo à melhoria da qualidade do esporte no país. Com o compromisso da CBF e o apoio dos deputados, espera-se que as mudanças propostas se concretizem em um futuro próximo, trazendo benefícios tanto para os árbitros quanto para a integridade do futebol brasileiro.





