Protestos em várias cidades destacam preocupações sobre a anistia disfarçada
Protestos em diversas cidades do Brasil contra o Projeto de Lei da Dosimetria levantam preocupações sobre possíveis anistias a golpistas.
A pressão popular em torno do PL da Dosimetria se intensificou nas últimas semanas, culminando em grandes manifestações em diversas cidades do Brasil. Os protestos ocorreram neste domingo, 14 de dezembro de 2025, de forma simultânea em várias regiões, reunindo milhares de cidadãos preocupados com as implicações do projeto que altera o cálculo das penas para crimes que ameaçam a democracia.
O cenário das manifestações
As mobilizações foram convocadas por frentes como Brasil Popular e Povo Sem Medo, além de contarem com o apoio de artistas e personalidades influentes. O principal grito de ordem nas ruas foi “Sem anistia para golpistas”, refletindo a profunda insatisfação com a proposta que, segundo os manifestantes, funcionaria como uma anistia disfarçada para aqueles envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023. O projeto, já aprovado pela Câmara dos Deputados, está prestes a ser votado pelo Senado, o que eleva ainda mais a urgência das mobilizações.
O que diz o PL da Dosimetria
O Projeto de Lei da Dosimetria propõe mudanças significativas nas regras de dosimetria e progressão de pena para crimes como a tentativa de golpe e a abolição violenta da democracia. Entre as principais alterações, destaca-se a possibilidade de que, em casos com múltiplas condenações, prevaleça apenas a pena mais grave, minimizando a responsabilidade daqueles que atentam contra a ordem democrática. Além disso, o texto flexibiliza as regras para progressão de regime e remição de pena, o que pode levar a uma redução significativa do tempo de prisão.
As vozes nas ruas
Nos atos, manifestantes de diferentes esferas sociais se uniram. Em São Paulo, a Avenida Paulista foi tomada por centrais sindicais e movimentos estudantis, que entoaram gritos contra a proposta e em defesa da democracia. Em Brasília, os protestos culminaram em frente ao Congresso Nacional, com faixas críticas aos líderes legislativos, enquanto no Rio de Janeiro, um evento denominado “Ato Musical 2: o retorno” combinou discursos e apresentações artísticas para amplificar a mensagem de resistência.
Artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil se juntaram aos protestos, aumentando a visibilidade da causa. O ministro Guilherme Boulos também se pronunciou, chamando a atenção para a necessidade de o Senado barrar a proposta, destacando que “golpista bom é golpista responsabilizado”.
Repercussões e futuros desdobramentos
A aprovação do PL da Dosimetria na Câmara foi feita com ampla maioria e agora aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O presidente Davi Alcolumbre anunciou a intenção de acelerar a votação, o que gera ainda mais tensão entre os defensores e opositores da proposta. Além do foco nas questões de dosimetria, os protestos também abordaram temas como a demarcação de terras indígenas e políticas de combate ao feminicídio.
Enquanto isso, o presidente Lula sinaliza a possibilidade de vetar o projeto se perceber que ele beneficia diretamente figuras como o ex-presidente Jair Bolsonaro. Por outro lado, aliados do ex-presidente defendem uma anistia mais ampla, o que intensifica o debate sobre a responsabilidade política e social em casos de crimes contra a democracia. A expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para o futuro das propostas e para a mobilização popular.





