Nova pesquisa revela que adolescência pode ir até os 30 anos

Estudo da Universidade de Cambridge redefine a compreensão sobre desenvolvimento cerebral.

Nova pesquisa revela que adolescência pode ir até os 30 anos
Estudo sobre o desenvolvimento cerebral sugere que adolescência se estende até os 30 anos. Foto: GettyImages

Uma nova pesquisa sugere que a adolescência pode se estender até os 30 anos, mudando a compreensão sobre o desenvolvimento cerebral.

O conceito tradicional de adolescência, que varia entre 10 e 19 anos segundo a OMS e entre 12 e 18 anos segundo o ECA, pode estar ultrapassado. Um estudo inovador da Universidade de Cambridge, publicado na revista Nature Communications, sugere que esse período se estende até os 30 anos. A pesquisa, liderada por neurocientistas, analisou a estrutura cerebral de 3.801 indivíduos, utilizando ressonâncias magnéticas para mapear conexões neurais.

O Desenvolvimento Cerebral ao Longo da Vida

Os pesquisadores identificaram cinco fases distintas do desenvolvimento cerebral, com quatro pontos de virada significativos ao longo da vida. A primeira fase, que ocorre até o final da infância, é marcada pelo crescimento rápido da substância cinzenta e branca do cérebro. Isso resulta em uma configuração neural que se estabiliza antes da adolescência, que começa por volta dos 9 anos, aumentando o risco de transtornos mentais.

Durante essa fase, as conexões neurais se tornam mais refinadas, levando a uma melhor eficiência cognitiva. O estudo destaca que as mudanças mais significativas nas conexões neurais acontecem por volta dos 32 anos, quando o cérebro atinge um pico em termos de capacidade cognitiva.

Implicações para a Saúde Mental

Alexa Mousley, uma das líderes do estudo, enfatiza a importância de compreender como a estrutura cerebral muda ao longo da vida. Essa compreensão pode oferecer insights sobre por que alguns indivíduos enfrentam dificuldades de aprendizagem na infância ou problemas como demência na velhice. O estudo sugere que a arquitetura cerebral se estabiliza durante a fase adulta, que se estende até os 60 anos, sem grandes mudanças na conectividade cerebral.

Além disso, os dados indicam que, após os 60 anos, há uma reorganização das redes cerebrais, correlacionada ao envelhecimento e ao aumento do risco de problemas de saúde, como hipertensão.

Reflexões Finais

Duncan Astle, autor sênior da pesquisa, observa que, assim como nossas vidas são marcadas por diferentes fases, o cérebro também passa por essas etapas. O entendimento dessas fases pode ajudar a moldar intervenções e tratamentos para condições neurodesenvolvimentais e de saúde mental. Esta pesquisa não apenas redefine a adolescência, mas também abre novas avenidas para o estudo e a compreensão do cérebro humano ao longo da vida.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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