Resíduos sólidos: Brasil tem 28 milhões de toneladas sem destinação

A gestão inadequada de resíduos continua sendo um desafio.

Resíduos sólidos: Brasil tem 28 milhões de toneladas sem destinação
Área protegida em Samambaia vira lixão e supermercado primor é multado – Foto: DF Legal/Reprodução

Mais de 28 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos estão com destinação inadequada no Brasil, revelando um grave desafio na gestão de resíduos.

Cenário alarmante dos resíduos sólidos no Brasil

O Brasil enfrenta um desafio significativo na gestão de resíduos sólidos, com mais de 28 milhões de toneladas de materiais descartados de forma inadequada. Este dado alarmante, que representa 40,3% do total de resíduos gerados no país, foi revelado no “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025”, elaborado pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). Essa questão não afeta apenas o meio ambiente, mas também a saúde pública e a economia do país.

O que são resíduos sólidos urbanos?

Os resíduos sólidos urbanos (RSU) incluem uma variedade de materiais que vão desde papéis e embalagens plásticas até restos de comida. Em 2024, o Brasil gerou 81,6 milhões de toneladas de RSU, o que equivale a uma média de 384 kg por pessoa. Desses, 93,7% foram coletados por serviços públicos ou informalmente, mas apenas 41,4 milhões de toneladas (59,7%) foram destinadas a aterros sanitários adequados, enquanto apenas 7,7 milhões de toneladas (8,7%) foram recicladas.

Os dados mostram que, apesar de um leve progresso em relação ao ano anterior, onde 41,5% do RSU foi destinado a locais inadequados, o cenário ainda é preocupante. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, que deveria garantir a gestão adequada dos resíduos, não está sendo cumprida na prática.

As consequências da destinação inadequada

A destinação inadequada de resíduos, que inclui o descarte em lixões e queimadas, não apenas agrava a poluição ambiental, mas também representa um risco significativo à saúde pública. Estima-se que ainda haja cerca de 3 mil lixões em operação no Brasil, que poderiam ser transformados em ativos econômicos. O potencial econômico dos resíduos é grande, especialmente considerando a possibilidade de reciclagem e geração de energia.

O presidente da Abrema destaca que a reciclagem de materiais como plásticos, metais e papéis avançou apenas 0,4% no último ano, alcançando 8,7% do total de resíduos gerados. A realidade é que cerca de 64,8% dos materiais reciclados foram coletados por catadores informais, o que evidencia a necessidade de políticas públicas que incluam esses trabalhadores.

Oportunidades na reciclagem e geração de energia

O relatório também aponta para a importância da reciclagem bioenergética, que, ao considerar materiais orgânicos e não orgânicos, alcança 11,7% de reaproveitamento. Essa forma de geração de energia é vista como uma solução viável para atender parte da demanda nacional por gás natural, além de promover uma economia sustentável.

Experiências bem-sucedidas, como a logística reversa de latas de alumínio, mostram que é possível alcançar altas taxas de reciclagem, com 97,3% das latinhas sendo recuperadas. Isso demonstra que, com a estrutura certa e políticas eficazes, o Brasil pode melhorar significativamente sua gestão de resíduos e, consequentemente, a saúde pública e o meio ambiente.

O panorama atual revela a urgência de ações concretas e efetivas na gestão de resíduos sólidos, a fim de transformar os desafios em oportunidades que beneficiem toda a sociedade.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: DF Legal/Reprodução