STF analisa núcleo final da tentativa de golpe de 2022

Julgamento pode encerrar processos contra 31 réus envolvidos.

O STF retoma o julgamento do núcleo 2 da tentativa de golpe de 2022, com 24 réus já condenados.

A 1ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) dará continuidade, nesta terça-feira (16.dez.2025), ao julgamento do núcleo 2 da tentativa de golpe de Estado ocorrida em 2022. Este é o último grupo a ser analisado pela Corte, que já condenou 24 réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e absolveu um acusado. O caso investiga a articulação para manter Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições, e o desfecho deste julgamento é considerado crítico para evitar interferências nas próximas eleições de 2026.

O contexto do julgamento

Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), os integrantes do núcleo 2 estavam em posições estratégicas dentro do governo e atuaram de forma coordenada para sustentar um plano golpista. As acusações incluem a criação de um decreto que visava a decretação de estado de sítio, bem como a elaboração de estratégias para interferir no processo eleitoral e até monitorar autoridades, com planos que envolviam ações violentas.

Entre os réus, destacam-se figuras como Fernando de Sousa Oliveira, delegado da Polícia Federal, e Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal). A PGR enfatiza que esses réus utilizaram suas funções públicas para criar condições que comprometiam a normalidade democrática no Brasil.

Detalhes das acusações

O núcleo 2, composto por seis indivíduos, é acusado de crimes graves, incluindo organização criminosa armada e tentativa de golpe de Estado. A PGR alega que a atuação deste grupo foi essencial para a viabilização do plano golpista. Cada membro teria contribuído de forma autônoma, mas alinhada, para o objetivo comum de manter Bolsonaro no poder.

As denúncias incluem ainda ações específicas que cada um dos réus teria realizado. Por exemplo, Fernando de Sousa Oliveira é acusado de usar ferramentas de análise de dados para mapear eleitores e direcionar ações policiais que poderiam interferir no resultado das eleições. Marília Alencar, outra ré, teria coordenado operações que dificultaram a votação no Nordeste, onde Lula teve uma vantagem significativa.

Implicações e desdobramentos

O fechamento deste ciclo de julgamentos é visto como estratégico para o STF, que busca evitar que questões sensíveis relacionadas a Bolsonaro afetem o ambiente político antes das eleições de 2026. A expectativa é que o julgamento seja concluído ainda hoje, permitindo que o tribunal finalize a análise dos 31 réus envolvidos na tentativa de golpe.

A PGR argumenta que a atuação do núcleo 2 não foi apenas um ato isolado, mas parte de uma estratégia maior para desestabilizar a democracia brasileira, utilizando a estrutura do Estado para planos que comprometiam a ordem democrática.

Com as mudanças na composição do STF e a saída do ministro Luiz Fux, que frequentemente apresentava votos divergentes, a tendência é que a decisão seja mais consensual entre os ministros restantes, o que pode acelerar o desfecho das acusações contra este último núcleo.