Investigação da PF revela fraudes em contratos governamentais

Deputado Antônio Doido é investigado por fraudes relacionadas à COP30.
A investigação da Polícia Federal (PF) em torno do deputado Antônio Doido (MDB-PA) revela um cenário preocupante de corrupção e fraudes. As suspeitas indicam que empresas ligadas ao parlamentar, como JAC Engenharia e J.A Construcons, estariam envolvidas em um esquema de licitações fraudulentas durante a realização da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025.
O pano de fundo da investigação
A origem das investigações remonta a outubro de 2024, quando um policial militar foi preso ao tentar sacar R$ 5 milhões. Este PM, que tinha vínculos diretos com Antônio Doido, foi identificado como parte de um esquema mais amplo que movimentou cerca de R$ 43 milhões em dinheiro vivo entre 2023 e 2024. A PF encontrou em seu celular mensagens trocadas com Ruy Cabral, secretário de Obras do Pará, responsável por assinar todos os contratos da COP30.
A suspeita de corrupção na licitação da COP30 foi inicialmente divulgada pelo portal Metrópoles em agosto de 2025, revelando que as empresas vinculadas ao deputado tinham cerca de R$ 1 bilhão em contratos com o governo do Pará. Dentre esses contratos, destacam-se duas licitações da COP30, que totalizam R$ 265 milhões.
Detalhes da operação e as evidências
As evidências coletadas pela PF incluem conversas que sugerem corrupção ativa e passiva. As mensagens entre o PM e Cabral coincidem com datas em que as empresas venceram licitações, e indicam uma suposta entrega de valores ilícitos. Em 20 de setembro de 2024, data em que um saque de R$ 6 milhões foi realizado, o PM tentou contatar o secretário, indicando a urgência da situação.
Entre as mensagens trocadas, destaca-se um convite do secretário para que o PM se dirigisse ao seu escritório, seguido por instruções sobre como proceder para evitar que o encontro fosse percebido. O PM mencionou ter deixado algo com a esposa do deputado, Andréa Dantas, o que levanta ainda mais suspeitas sobre o envolvimento de familiares no esquema.
Reação do governo e próximos passos
Em resposta às acusações, o governo do Pará afirmou que todas as contratações seguem rigorosamente o devido processo licitatório, respeitando os princípios da legalidade e moralidade. A nota oficial garante que os pagamentos são realizados apenas por meio de procedimentos administrativos formais, com fiscalização rigorosa.
Entretanto, a gravidade das acusações levanta questões sobre a transparência e ética nas contratações públicas no estado, especialmente em eventos de grande visibilidade como a COP30. A investigação da PF ainda está em andamento, e novas revelações podem surgir à medida que mais evidências forem coletadas.
A situação continua a evoluir, e a sociedade aguarda ansiosamente os desdobramentos dessa investigação que envolve altos cargos políticos e possíveis desvios de verbas públicas.
Fonte: noticias.uol.com.br





