Aumento nas importações de aço chinês impacta negativamente o setor
Setor de aço brasileiro reduz empregos e investimentos devido à importação de aço chinês.
As siderúrgicas brasileiras estão em um momento crítico, tendo reduzido 5.100 empregos e congelado R$ 2,5 bilhões em investimentos até novembro de 2025. Essa situação é atribuída à intensa concorrência das importações de aço chinês, que impactaram negativamente a produção e a demanda interna.
O impacto das importações de aço chinês
Dados do Instituto Aço Brasil revelam que, neste período, quatro alto-fornos, uma aciaria e cinco minimills foram paralisados devido à menor demanda pelo aço nacional. A produção de aço bruto foi revisada para uma queda de 2,2%, um aumento em relação à previsão anterior de 0,8%. Para o final de 2025, a expectativa é que o Brasil produza 33,1 milhões de toneladas de aço, com 21,1 milhões destinadas ao mercado interno e 10,2 milhões para exportação.
As importações de aço bruto devem aumentar em 7,5% em relação a 2024, enquanto as importações de aços laminados, essenciais para a construção civil e setores automotivos, devem subir 20,5%. Essa ascensão da importação é uma resposta à adaptação dos preços do aço brasileiro, que tentam competir com os valores mais baixos dos produtos chineses.
A resposta da indústria
O Instituto Aço Brasil denuncia as práticas desleais do governo chinês, que supostamente promove dumping comercial, vendendo aço a preços inferiores ao custo de produção. Em janeiro de 2024, o preço da tonelada de bobinas a quente era de US$ 560, caindo para US$ 454 em novembro de 2025. Essa redução de preços coincide com a diminuição das margens de lucro das siderúrgicas chinesas, indicando uma estratégia de eliminação da concorrência em mercados externos.
Apesar da renovação das cotas para a importação de 16 tipos de aço, a indústria brasileira ainda enfrenta muitos desafios. No terceiro trimestre de 2025, o Ebitda das siderúrgicas caiu para R$ 2,8 bilhões, quase pela metade do que foi registrado no mesmo período do ano anterior.
Caminhos para o futuro
Diante dessa crise, o setor busca convencer o governo a aumentar as tarifas de importação, que atualmente variam entre 9% e 16%. Além disso, a indústria espera que o governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, possa revogar tarifas de 50% sobre o aço brasileiro. O presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, acredita que um acordo semelhante ao de 2018 pode ser restabelecido, permitindo a exportação de até 3,5 milhões de toneladas de aço semiacabado sem tarifas.
O cenário atual da indústria do aço no Brasil é um reflexo das complexas relações comerciais internacionais e das pressões internas. A recuperação do setor dependerá de medidas eficazes que protejam a produção nacional e promovam um ambiente de concorrência justa.





