Inclusão de funcionários 50+ nas empresas: um desafio atual

Análise do cenário de diversidade etária no Brasil em 2025.

O setor público no Brasil concentra 50% de seus funcionários com 50 anos ou mais em grandes companhias, refletindo a falta de políticas inclusivas nas empresas privadas.

As grandes empresas brasileiras enfrentam um desafio significativo em relação à inclusão de funcionários com 50 anos ou mais. Um estudo recente revela que o setor público abriga 50% dessa população nas grandes companhias, enquanto as empresas privadas demonstram uma baixa preocupação com esta faixa etária.

O panorama da diversidade etária no Brasil

O levantamento intitulado “Diversidade nas Empresas”, realizado pela Folha em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), analisa a presença de trabalhadores sêniores nas organizações. A pesquisa revelou que seis das dez grandes empresas que mais se destacam na inclusão de pessoas com 50 anos ou mais em postos de liderança são de propriedade pública. Essa realidade expõe a falta de políticas ativas nas companhias privadas, que, em sua maioria, não possuem iniciativas voltadas para a contratação de profissionais mais velhos.

O que dizem os especialistas

Darcy Hanashiro, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, aponta que a estabilidade do funcionalismo público é um dos fatores que contribui para a longevidade desses funcionários no mercado. Segundo ela, essa situação não reflete um esforço das empresas para promover inclusão, mas sim uma característica intrínseca do setor público, onde os trabalhadores não enfrentam demissões como nas esferas privadas.

Além disso, a pesquisa revelou que as empresas privadas frequentemente se baseiam em estereótipos negativos ao considerar a contratação de trabalhadores mais velhos. Muitos gestores acreditam que esses profissionais enfrentam dificuldades com tecnologia e são resistentes a mudanças, o que perpetua o preconceito etário no ambiente corporativo.

A resistência das empresas privadas

O estudo destaca que, entre as empresas privadas que se destacam, como Braskem e Marfrig, nenhuma apresentou políticas específicas para a inclusão de funcionários com 50 anos ou mais. Isso levanta questões sobre a disposição do setor privado em adaptar suas práticas de contratação para abranger a diversidade etária.

Mórris Litvak, CEO da consultoria Maturi, enfatiza que a contratação de profissionais mais velhos pode trazer benefícios significativos para as empresas, incluindo menor rotatividade e a qualidade de trabalho proporcionada pela experiência acumulada ao longo dos anos.

O futuro da força de trabalho sênior

Com o aumento da expectativa de vida e a projeção de que até 2070, 38% da população brasileira terá 60 anos ou mais, é essencial que as empresas comecem a repensar suas estratégias de inclusão. A resistência atual pode se tornar um obstáculo para o crescimento e a inovação no contexto empresarial.

A história de Liliana Martins da Silva, biomédica de 55 anos, exemplifica os desafios enfrentados por muitos profissionais mais velhos. Após um período difícil de recolocação, ela encontrou uma oportunidade na Sanofi, onde sua experiência é valorizada, destacando a importância da troca intergeracional no ambiente de trabalho.

As práticas adotadas por empresas como a Sanofi, que removeu informações sobre idade dos processos seletivos e criou um banco de talentos específico para profissionais com mais de 50 anos, são passos importantes em direção à inclusão. Essas iniciativas não apenas beneficiam os trabalhadores sêniores, mas também enriquecem a cultura organizacional como um todo.

O desafio da inclusão de funcionários 50+ nas empresas brasileiras é um reflexo das mudanças sociais e demográficas em curso. Para que essas mudanças sejam efetivas, é necessário que tanto o setor público quanto o privado se comprometam a desenvolver políticas que promovam a diversidade etária de maneira significativa.