Mudanças políticas e saturação de mercado afetam o setor.
O crescimento da energia solar deve desacelerar pela primeira vez em 2026, impactado por mudanças políticas e saturação do mercado.
A desaceleração do crescimento da energia solar a partir de 2026 representa um marco significativo para um setor que, nas últimas duas décadas, se consolidou como uma das principais fontes de energia renovável global. De acordo com a BloombergNEF (BNEF), as mudanças nas políticas públicas, especialmente na China e nos Estados Unidos, junto ao fenômeno de saturação dos mercados, são as principais causas dessa nova tendência.
O impacto das políticas públicas
A política pública da China, que inclui uma nova abordagem de preços para fontes renováveis, tem gerado uma corrida inicialmente positiva por instalações, mas que rapidamente se transformou em um resfriamento da demanda. A BNEF reduziu suas expectativas de instalação para 2025 em 9%, prevendo 372 gigawatts, e uma queda ainda mais acentuada de 14% para 2026.
Nos Estados Unidos, a situação é similar. As diretrizes do governo, que buscam limitar a expansão das energias renováveis em favor de combustíveis fósseis, têm contribuído para a desaceleração do mercado. Essa mudança de foco está impactando não apenas a capacidade instalada, mas também a confiança dos investidores no setor.
O futuro do setor solar
O relatório da BNEF indica que o crescimento do setor solar em 2025 será o mais fraco em sete anos, com uma adição prevista de 649 gigawatts de nova capacidade no próximo ano. Essa é uma queda significativa em relação ao crescimento acelerado que caracterizou os anos anteriores. A saturação nos mercados maduros, como na Espanha e no Brasil, também está contribuindo para essa retração, uma vez que a rápida expansão resultou em desperdício de energia e queda nos preços da eletricidade.
Expectativas para 2027
Apesar das dificuldades esperadas para 2026, a BNEF projeta um retorno ao crescimento, ainda que modesto, a partir de 2027. A indústria poderá se ajustar às novas condições de oferta e demanda, e novos mercados deverão começar a se expandir, elevando a capacidade instalada para 688 gigawatts. Essa expectativa traz um alívio ao setor, sugerindo que a energia solar ainda terá um papel vital na matriz energética global, desde que consiga se adaptar às mudanças de cenário nas principais economias do mundo.





