Ópera barroca ‘Les Indes Galantes’ se reinventa com hip-hop no palco

Montagem no Theatro Municipal de São Paulo traz uma fusão inovadora entre estilos musicais e de dança

Ópera barroca 'Les Indes Galantes' se reinventa com hip-hop no palco
Freiras do beatbox e breakdance querem expandir o rebanho no Brasil. Foto: Rafael Salvador / Divulgação

A montagem de 'Les Indes Galantes' no Theatro Municipal de São Paulo une hip-hop e ópera barroca em uma apresentação inovadora.

A reinvenção da ópera barroca com hip-hop

A montagem de “Les Indes Galantes”, que está em cartaz no Theatro Municipal de São Paulo, traz uma proposta inovadora ao unir o hip-hop com a tradição da ópera barroca. Essa obra de Jean-Philippe Rameau, originalmente lançada em 1735, é uma das grandes peças do repertório francês, mas ganhou novos contornos sob a direção musical de Leonardo García-Alarcón e a coreografia de Bintou Dembélé.

O palco como um espaço de diálogo cultural

Durante a apresentação, o palco é invadido por bailarinos que se alternam em uma roda, executando movimentos do “krump”, uma linguagem de dança que reflete a cultura urbana. Ao invés de batidas pesadas de hip-hop, o que ressoa é o som do cravo, um instrumento central na música barroca, criando uma fricção interessante entre esses dois universos. O espetáculo, que fica em cartaz até dezembro, é uma oportunidade de revisitar essa obra clássica em um formato contemporâneo.

A coreografia e o intercâmbio cultural

Bintou Dembélé, uma das principais referências do hip-hop francês, traz sua experiência e visão ao espetáculo. A coreógrafa, que também dirige a peça, trabalha em colaboração com a orquestra Cappella Mediterranea e artistas brasileiros, criando um intercâmbio rico que celebra os 200 anos de relações entre França e Brasil. O uso de dançarinos e músicos no mesmo espaço cênico não só desafia as normas de apresentação, mas também permite uma nova forma de interação com o público, que se vê imerso na ação dramática.

O desafio do canto barroco

O estilo de canto do barroco francês é notoriamente desafiador, especialmente para aqueles que não têm o português como língua materna. No entanto, a familiaridade dos cantores brasileiros com a língua facilita a execução, resultando em um grupo afinado e em sintonia. Leonardo García-Alarcón destaca essa vantagem, ressaltando a importância da dicção e da memória musical na performance.

A narrativa e suas implicações

“Les Indes Galantes” é composta por quatro cenas independentes, cada uma ambientada em territórios exóticos da época, como a Turquia e a Pérsia. Essa estrutura narrativa, que reflete o olhar europeu sobre o outro, é abordada de maneira crítica pela direção de Dembélé. Ela busca iluminar as vozes invisibilizadas da história e questionar o legado colonial da obra.

A fusão de estilos e suas implicações

A coreografia incorpora uma mistura de estilos de dança urbana, incluindo break dance, “waacking” e voguing. Esses estilos, que surgiram em contextos sociais complexos, são utilizados para fazer um contraponto às letras que exaltam a paz e a sensibilidade das culturas representadas. Essa abordagem contemporânea não é inédita, já que outras produções, como “The Fairy Queen”, também têm explorado essa fusão de estilos.

Informações sobre as apresentações

Os espetáculos acontecem às terças, quartas e quintas, às 20h, e aos sábados e domingos, às 17h, até 4 de dezembro, no Theatro Municipal de São Paulo. Os ingressos variam de R$ 39 a R$ 252, com classificação livre. Essa é uma oportunidade única de vivenciar uma obra que desafia as barreiras entre o clássico e o contemporâneo, ampliando o diálogo cultural por meio da arte.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Rafael Salvador / Divulgação