Custos da violência armada no Brasil: R$ 556 milhões em 10 anos

Estudo revela impacto financeiro da violência armada no SUS.

Custos da violência armada no Brasil: R$ 556 milhões em 10 anos
A violência armada no Brasil gerou um custo de R$ 556 milhões em atendimentos. Foto: Em todo o período analisado, o número de óbitos por arma de fogo permaneceu cerca de duas vezes maior que o número de internações, o que evidencia a alta letalidade.

Estudo aponta que a violência armada custou R$ 556 milhões ao SUS nos últimos 10 anos.

A violência armada no Brasil representa um dos principais desafios para a saúde pública, não apenas pela perda de vidas, mas também pelo impacto financeiro significativo. Um estudo recente do Instituto Sou da Paz revelou que a violência por armas de fogo custou ao Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de R$ 556 milhões ao longo da última década, uma quantia que reflete não só o custo das internações, mas também a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para mitigar esse problema.

O impacto financeiro da violência armada

De acordo com a pesquisa, em 2024, o SUS registrou um gasto de R$ 42,3 milhões, alocados em 15,8 mil internações decorrentes de ferimentos por armas de fogo. O estudo destaca que o custo médio de uma internação devido a lesões por arma de fogo é 159% maior do que os gastos médios federais com saúde no mesmo ano, o que demonstra a pressão adicional que esses eventos exercem sobre o sistema de saúde. O custo médio por internação foi de R$ 2.680 em 2024.

Os dados da pesquisa também revelam uma trajetória de queda nos custos anuais com internações, que atingiram seu pico entre 2015 e 2017. Desde então, houve uma redução acumulada de 42% ao longo da década, com uma média anual de gastos de R$ 56,6 milhões. Embora essa tendência seja positiva, a redução foi mais modesta entre 2023 e 2024, com apenas 3% de diminuição nos custos.

Tendências nos atendimentos e óbitos

O estudo analisou também o número de atendimentos relacionados a ferimentos por arma de fogo entre 2015 e 2024, com registros que variaram de 24 mil atendimentos em 2015 a 15,8 mil em 2024. A redução no número de internações é acompanhada por um padrão semelhante nas mortes, com a taxa de óbitos por arma de fogo permanecendo, em média, duas vezes maior do que a de internações.

Esses dados revelam não apenas a letalidade da violência armada no Brasil, mas também a necessidade de intervenções efetivas. Estados como Maranhão, Pernambuco e Mato Grosso se destacam por apresentarem taxas de óbitos que chegam a ser quatro ou cinco vezes superiores às de internações, evidenciando desigualdades regionais alarmantes.

Considerações finais

O cenário apresentado pela pesquisa do Instituto Sou da Paz é alarmante e destaca a urgência de ações coordenadas e efetivas para enfrentar a violência armada no Brasil. Com um custo financeiro significativo para a saúde pública e uma taxa de mortalidade que ainda se mostra preocupante, é essencial que políticas públicas sejam implementadas para reduzir tanto a incidência de ferimentos por armas de fogo quanto os seus impactos financeiros no SUS. A sociedade civil, juntamente com o governo, precisa se mobilizar para buscar soluções que possam, de fato, reverter essa realidade.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br