DNA de baleia-jubarte revela marcas da caça predatória

Estudo aponta queda drástica na diversidade genética da espécie

Estudo revela marcas de caça predatória no DNA das jubartes, com queda significativa na diversidade genética.

As baleias-jubartes (Megaptera novaeangliae) carregam em seu DNA as cicatrizes de um passado marcado pela caça predatória que as levou a quase extinção no século 20. Um estudo recente, publicado no periódico Science Advances, revela que a população de jubartes no oceano Austral pode ter reduzido para apenas 2% do seu tamanho original em 1930. Este quadro alarmante reflete a drástica redução da diversidade genética da espécie, que caiu a cerca de 30%.

O impacto histórico da caça

O estudo, liderado pelo pesquisador brasileiro Fabricio Furni, da Universidade de Groningen, foi desenvolvido em parceria com Eduardo Secchi, da Universidade Federal do Rio Grande. As amostras de DNA analisadas foram coletadas na Antártida, um dos últimos refúgios da espécie, durante projetos do Programa Antártico Brasileiro. A caça industrializada começou no início do século 20, devastando as populações de jubartes que já eram alvo de exploração no Atlântico Norte desde o século 19.

A intensidade da caça levou a Comissão Internacional da Baleia a proibir totalmente a captura da espécie em 1963. Contudo, mesmo após essa proibição, a caça ilegal continuou, com estimativas de que dezenas de milhares de jubartes foram mortas clandestinamente por navios soviéticos nas décadas seguintes.

Análise genética e suas revelações

Os pesquisadores compararam o genoma de 16 jubartes recentes com nove espécimes históricos do início do século 20, utilizando modelos matemáticos para estimar as variações populacionais ao longo dos séculos. Os resultados foram alarmantes: a população do Atlântico Norte, que em 1600 era estimada em 25 mil indivíduos, caiu para apenas 2.500 em 1900. No oceano Austral, a situação era ainda pior, com a população reduzida de 70 mil para apenas 1.400 jubartes em 1930.

A pesquisa revelou que a diversidade genética da espécie é consideravelmente mais homogênea hoje do que no passado. A heterozigosidade, que indica a presença de múltiplas variantes genéticas em um indivíduo, foi reduzida entre 20% e 30% no oceano Austral. Isso significa que a capacidade adaptativa da espécie a novos desafios ambientais e doenças está comprometida.

O futuro das jubartes

Apesar das preocupações, as variantes genéticas que se tornaram mais comuns na população atual parecem ter impactos moderados, sem causar grandes danos imediatos. No entanto, a perda de variabilidade genética é um sinal de alerta, pois limita a capacidade de adaptação da espécie a mudanças futuras.

A recuperação total das populações de jubartes pode levar muitas gerações, e a pesquisa destaca a importância de esforços contínuos de conservação. A história das jubartes serve como um lembrete poderoso dos impactos da caça predatória e da necessidade de proteger essas magníficas criaturas marinhas.