Explorando a fusão entre arte e identidade na obra de uma artista inovadora.

Harmony Hammond é uma artista pioneira na abstração queer, unindo arte e identidade em suas obras.
A artista americana Harmony Hammond, aos 81 anos, continua a desafiar as normas da arte contemporânea com suas obras que exploram a interseção entre identidade, corpo e abstração. Suas criações estão atualmente em exposição no Auroras, em São Paulo, onde combina materiais variados, como pregos e tecidos, com camadas de tinta, evocando uma profunda conexão com a experiência humana e queer.
A fusão entre arte e identidade
Nascida na década de 1940, Hammond se destacou na cena artística dos Estados Unidos nos anos 70, um período marcado pela luta feminista e pela busca por maior visibilidade LGBTQIA+. Sua obra, muitas vezes, inclui referências a figuras influentes, como a escritora lésbica Monique Wittig. Em sua peça “Voices 2”, por exemplo, ela incorpora a famosa frase de Wittig, “O que vocês fizeram com o meu desejo?”, refletindo um anseio por libertação e reconhecimento.
A linguagem da abstração social
A abstração, segundo Hammond, é uma forma de resistência e uma linguagem que permite discutir questões sociais e políticas. Suas obras não são apenas visuais, mas carregam um conteúdo que dialoga diretamente com a vivência queer. Em “Frazzle”, uma tela volumosa é marcada por cintos que parecem pressionar a superfície, simbolizando a luta e o desejo contido de indivíduos que enfrentam barreiras sociais.
Diálogo entre artistas
Na exposição do Auroras, Hammond compartilha espaço com o brasileiro Ivens Machado, cujas esculturas também dialogam com a corporeidade. Enquanto Machado, que faleceu em 2015, usava a arquitetura como base, Hammond busca materiais em casas abandonadas e fazendas desérticas, recuperando fragmentos de histórias e existências queer. “O chão, as paredes, eles sabem a história, porque estavam lá”, afirma a artista, ressaltando a importância do contexto em que esses materiais foram encontrados.
A luta contínua por visibilidade
Hammond, que vive em Santa Fé, no Novo México, destaca como a cidade se tornou um refúgio para a comunidade LGBTQIA+ desde os anos 70. Sua trajetória inclui momentos de efervescência cultural, especialmente após a Revolta de Stonewall, que a levou a se assumir lésbica e a se envolver mais ativamente na arte. Como uma das fundadoras da galeria A.I.R. em Nova York, Hammond ajudou a criar um espaço para que mulheres artistas pudessem expor seus trabalhos em um ambiente predominantemente masculino.
O futuro da arte queer
Com a crescente abertura de museus para perspectivas queer, Hammond observa um cenário promissor, embora também ameaçado pelas políticas atuais nos Estados Unidos. O governo de Donald Trump, desde 2025, tem cortado verbas para exposições que desafiem os “valores americanos”, o que representa um retrocesso para a visibilidade de artistas como Hammond. “Precisamos nos manter vigilantes, se não vamos caminhar para trás”, conclui a artista, reafirmando a importância de continuar a luta por reconhecimento e espaço na arte.
A exposição de Harmony Hammond no Auroras é uma celebração da arte queer e uma oportunidade para refletir sobre a importância da identidade e da resistência na prática artística contemporânea.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Espaço Auroras/Divulgação





