A reação dos consumidores à campanha publicitária e o impacto no movimento das lojas.
Apesar do boicote, lojas da Havaianas em SP estão cheias no Natal de 2025. Clientes priorizam qualidade.
Havaianas: lojas lotadas mesmo com boicote político
O cenário nas lojas da Havaianas em São Paulo é surpreendente. Apesar do boicote convocado por políticos de direita, o movimento nas lojas não apenas se manteve, como parece ter até aumentado, especialmente em meio à demanda natalina. Gerentes de cinco estabelecimentos visitados pela reportagem da Folha informaram que o fluxo de clientes permanece normal, com filas que ultrapassam a porta em alguns locais.
O contexto da campanha publicitária
A repercussão negativa em torno da campanha publicitária da Havaianas, que conta com a atriz Fernanda Torres, gerou um forte debate nas redes sociais. O comercial, que sugere que o público comece 2026 “com os dois pés”, foi interpretado por muitos como uma provocação política. A resposta de figuras como Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira gerou um movimento de boicote que prometia impactar as vendas da marca.
Entretanto, a realidade nas lojas conta uma história diferente. Entre os dez consumidores entrevistados, a maioria não se mostrou preocupada com a propaganda, priorizando a qualidade e a tradição da marca. Essa aparente desconexão entre a campanha e a resposta do público sugere que a Havaianas ainda mantém um forte apelo entre seus clientes.
A percepção dos consumidores
Os relatos dos clientes que frequentaram as lojas revelam um panorama interessante. Entre os entrevistados, apenas dois expressaram descontentamento com a campanha publicitária, mas mesmo assim, um deles prosseguiu com a compra. O aposentado Giácomo Bianchini, que se descreve como um “autodeclarado bolsonarista”, admitiu que comprou um par de chinelos por pressão de sua esposa, evidenciando a complexidade das motivações de compra em meio a um clima polarizado.
A qualidade dos produtos parece ser a razão principal para a escolha dos consumidores. Diego Silva, um bancário de 36 anos, resumiu a opinião de muitos ao afirmar que sua prioridade é o produto em si, independentemente da controvérsia em torno da marca.
O impacto no mercado financeiro
A controvérsia também teve repercussões no mercado financeiro. A Alpargatas, empresa controladora da Havaianas, viu suas ações despencarem após a divulgação da campanha. Entretanto, a recuperação nas vendas em lojas físicas parece contrabalançar essa queda, ilustrando a resiliência da marca.
A loja Calçados Guarani, em Brusque (SC), teve seu estoque de chinelos esgotado rapidamente após uma promoção que oferecia pares a R$ 1, demonstrando que a demanda pelos produtos Havaianas ainda é robusta, apesar das tentativas de boicote.
Reflexões sobre o consumo e a política
As reações dos consumidores indicam uma complexidade nas interações entre consumo e política. Muitos afirmam que a qualidade do produto deve prevalecer sobre considerações ideológicas, refletindo uma visão pragmática em tempos de polarização. Zuleica Maranhão, de 69 anos, expressou essa ideia ao afirmar que é importante separar produto de política, destacando que a tradição e a qualidade da Havaianas são inegáveis.
Em suma, o fenômeno observado nas lojas da Havaianas durante este período natalino revela não apenas a resiliência da marca, mas também a disposição dos consumidores de priorizar a qualidade em detrimento de controvérsias políticas. Essa dinâmica pode fornecer importantes lições sobre o comportamento do consumidor em um cenário cada vez mais polarizado.





