Cartórios do Pará cancelam 700 matrículas indevidamente por grilagem

Estudo revela irregularidades no registro de imóveis rurais.

Cartórios do Pará cancelam 700 matrículas indevidamente por grilagem
Matrículas de imóveis canceladas em cartórios do Pará. Foto: Mônica Bergamo.

Um estudo aponta que 700 matrículas de imóveis foram canceladas indevidamente em cartórios do Pará, levando a uma revisão significativa dos registros.

Um estudo recente destacou a complexidade da situação fundiária no Pará, revelando que os cartórios do estado cancelaram indevidamente 700 matrículas de imóveis rurais. Essa ação, que visava combater a grilagem, acabou por gerar mais confusão na gestão dos registros.

O panorama da grilagem em terras públicas

O levantamento, coordenado pela Anoreg (Associação dos Notários e Registradores do Brasil), identificou que 69 dessas áreas canceladas pertencem ao poder público e correspondem a aproximadamente 28 mil km² de terras. A pesquisa revelou que, após a eliminação de duplicidades, o número de imóveis considerados irregulares caiu de 10.728 para 9.691. Isso mostra que muitos imóveis estavam sendo contados mais de uma vez devido a registros em cartórios diferentes ou por desmembramentos inadequados.

Revisão de registros e suas implicações

Além da redução nos números, o estudo trouxe à tona a questão da concentração dos registros problemáticos em cinco municípios: Altamira, São Félix do Xingu, Paragominas, São Domingos do Capim e São Miguel do Guamá. Esses locais acumulam mais de 60% dos imóveis com matrículas bloqueadas ou canceladas no estado, o que evidencia a necessidade de um enfoque mais direcionado no combate à grilagem.

Os autores do estudo argumentam que o cancelamento de matrículas não deve ser automaticamente associado à grilagem. Muitas vezes, os cancelamentos são resultado de erros materiais e sobreposições involuntárias, refletindo décadas de políticas públicas ineficazes e a falta de um sistema integrado de governança fundiária.

Caminhos para uma solução efetiva

Os pesquisadores alertam que o combate à grilagem no Pará deve ser feito com uma análise caso a caso. A correção técnica dos registros e a implementação de políticas públicas direcionadas são fundamentais para lidar com as áreas que apresentam maior concentração de irregularidades. Diagnósticos genéricos podem levar a erros ainda maiores, tratando todos os cancelamentos como se fossem provas de apropriação ilegal de terras.

Assim, o estudo conclui que um enfrentamento efetivo da questão fundiária exige uma abordagem mais criteriosa e especializada, que leve em conta as particularidades de cada situação.

Fonte: redir.folha.com.br

Fonte: Mônica Bergamo