Polícia Federal apura esquema milionário em RS e SP.
Polícia Federal investiga desvio de mais de R$ 340 milhões em verbas públicas de hospitais em Jaguari e Embu das Artes.
Desvio de verbas para hospitais municipais
A investigação da Polícia Federal (PF) está centrada em um suposto esquema de desvio de verbas que pode ter causado perdas de mais de R$ 340 milhões em recursos públicos destinados a hospitais municipais. As cidades envolvidas são Jaguari, no Rio Grande do Sul, e Embu das Artes, na Grande São Paulo. O inquérito, que começou em janeiro de 2024, sugere que empresários de Porto Alegre teriam assumido a gestão dessas instituições e utilizado empresas de fachada para ocultar a real destinação dos recursos.
O que está sendo apurado
As investigações da PF indicam que, entre 2022 e agosto de 2025, os hospitais dessas cidades receberam quantias significativas dos cofres públicos. Em novembro de 2025, medidas cautelares já foram aplicadas, incluindo o bloqueio de R$ 22,5 milhões em contas associadas ao esquema. Além disso, imóveis e outros bens também foram apreendidos durante a operação policial. As prefeituras de Jaguari e Embu das Artes, procuradas pela PF, não se manifestaram até o momento.
As empresas de fachada
A PF relatou que o esquema utilizou empresas de fachada para emitir notas fiscais fraudulentas. Esses documentos visavam ocultar a destinação real dos recursos, que acabariam circulando em diversas contas de pessoas físicas e jurídicas sem qualquer relação com os serviços contratados. Além disso, foram identificados desvios diretos nas contas-convênios, com o dinheiro sendo utilizado para pagamentos pessoais, como aluguéis de imóveis luxuosos e viagens.
Campi e as licitações
Um dos alvos da investigação é a empresa Campi, que gerencia o acolhimento de pessoas com deficiência no Rio Grande do Sul. A empresa é suspeita de estar envolvida em uma fraude relacionada a uma licitação de R$ 26 milhões. Segundo informações da PF, os investigados teriam tido acesso a informações privilegiadas durante o pregão eletrônico conduzido pela Fundação de Proteção Especial (FPE), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Social do estado.
Respostas das autoridades
A FPE afirmou que a empresa é fiscalizada frequentemente e que, até o momento, não foram encontradas irregularidades. A secretaria, em nota, destacou que a Campi foi contratada com base em um termo de referência elaborado por um grupo de trabalho, e que se coloca à disposição para colaborar com as investigações em curso. Por outro lado, a Campi não respondeu aos pedidos de manifestação da imprensa.
Com essas medidas, a Polícia Federal busca esclarecer a extensão do desvio de verbas e responsabilizar os envolvidos nesse esquema que comprometeu a saúde pública em duas cidades brasileiras.





