Sanepar sob investigação: suposto esquema de arrecadação ilegal

Deputados paranaenses acionam CVM após áudios comprometedores.

Deputados do Paraná pedem investigação sobre esquema na Sanepar para cobrir dívidas de campanha.

A Sanepar, companhia paranaense de saneamento, se vê no centro de uma polêmica após a divulgação de áudios que sugerem um esquema irregular de arrecadação de fundos entre funcionários comissionados da empresa. Os deputados estaduais Requião Filho e Arilson Chiorato estão se movimentando para acionar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a fim de pedir uma investigação aprofundada sobre as alegações que envolvem uma dívida de R$ 4 milhões, oriunda da campanha de 2022 do governador Ratinho Jr.

O contexto da denúncia

Os áudios, que foram revelados pelo jornalista Guga Noblat, incluem conversas que mostram um pedido explícito para que funcionários da Sanepar contribuíssem financeiramente para saldar a dívida da campanha eleitoral. Em um dos trechos, Rafael Malaguido, ex-gerente da estatal, menciona que ele e Guto Silva, atual secretário de Cidades do Paraná, estavam por trás da arrecadação, insinuando uma forte ligação política. O governo do estado, por sua vez, argumenta que as denúncias são antigas e foram revisitadas sem novos fatos relevantes.

Detalhes da investigação

Além de acionar a CVM, os deputados já solicitaram à Polícia Federal que inicie um inquérito para investigar possíveis crimes eleitorais associados a essa arrecadação. As declarações de Requião Filho são contundentes, afirmando que, se confirmadas, as ações dos envolvidos podem ser qualificadas como concussão, peculato e corrupção passiva. Ele destaca a necessidade de uma resposta rápida e eficaz por parte dos órgãos de fiscalização, incluindo o Tribunal de Contas e o Ministério Público Federal.

Reações e desdobramentos

A Sanepar, em resposta às acusações, afirma que os áudios datam de 2021 e que já foram objeto de investigação pelo Ministério Público, que resultou na demissão de funcionários envolvidos e processos judiciais em andamento. No entanto, a falta de transparência em relação aos detalhes das apurações anteriores gerou desconfiança. O governo de Ratinho Jr. não respondeu diretamente sobre as menções ao secretário Guto Silva, mas reiterou que as denúncias não possuem substância nova.

Com a pressão crescente por parte dos deputados e a opinião pública, a situação da Sanepar e do governo estadual pode se complicar ainda mais, especialmente se novas evidências forem apresentadas. As investigações em curso poderão revelar um panorama mais amplo sobre possíveis irregularidades e a relação entre a política e a administração pública no Paraná.

As próximas semanas serão cruciais para determinar o futuro da Sanepar e as implicações políticas para o governo de Ratinho Jr., enquanto a sociedade civil aguarda respostas e medidas concretas contra a corrupção.