Declínio dos direitos das mulheres em Israel: ativistas responsabilizam Netanyahu

Movimentos feministas alertam sobre retrocessos em igualdade de gênero.

Declínio dos direitos das mulheres em Israel: ativistas responsabilizam Netanyahu
Protesto em Tel Aviv contra o governo de Netanyahu. Foto: Ronen Zvulun

Ativistas em Israel alertam sobre o retrocesso dos direitos das mulheres sob o governo Netanyahu, com queda significativa na igualdade de gênero.

A deterioração dos direitos das mulheres em Israel tem gerado preocupação entre ativistas e estudiosos, que apontam o governo de Benjamin Netanyahu como responsável por essa regressão. O cenário é alarmante, com uma queda acentuada no índice de igualdade de gênero do país, que agora ocupa a 84ª posição entre 181 países, uma descida dramática em relação à 27ª posição há três anos. Essa mudança é vista como um reflexo da crescente influência de partidos ultraortodoxos na política israelense, que buscam expandir a autoridade religiosa sobre a vida civil, promovendo a segregação de gênero e reduzindo a representação feminina nos altos escalões do governo.

O impacto das reformas no cotidiano das mulheres

As reformas propostas pelo governo de Netanyahu, que visam enfraquecer a Suprema Corte e aumentar a autonomia dos tribunais rabínicos, têm levantado preocupações sobre o futuro das mulheres em Israel. Ativistas feministas, como Daphna Hacker da Universidade de Tel Aviv, destacam que as mulheres estão, atualmente, “virtualmente ausentes” das decisões políticas e sociais que afetam suas vidas. O projeto de lei em discussão no Knesset permitiria que tribunais religiosos, predominantemente masculinos, decidissem sobre questões civis, algo que, segundo críticos, poderia resultar em discriminação sistemática contra as mulheres.

O alerta das ativistas e o aumento da violência

Os protestos organizados por grupos feministas, como as “Mulheres de Vermelho”, têm sido uma resposta visível a essas mudanças. Durante uma recente manifestação, as participantes se apresentaram como noivas amordaçadas, simbolizando a opressão que tem se intensificado sob o atual governo. O aumento no número de feminicídios, com 44 mulheres assassinadas este ano, é um indicativo preocupante da escalada da violência de gênero, associada também ao aumento da posse de armas no país.

A luta por direitos e igualdade

A situação atual é considerada por muitos como a pior na história do país em termos de direitos das mulheres. Parlamentares da oposição, como Merav Cohen, alertam que as políticas do governo são indiferentes ao sofrimento feminino e, em alguns casos, até reforçam a desigualdade. A proposta de restaurar poderes aos tribunais rabínicos é vista como parte de uma tendência maior de retrocesso, impulsionada por uma minoria religiosa que detém poder político.

As ativistas insistem que não permitirão que seus direitos sejam desmantelados e que continuarão a lutar contra um sistema que, segundo elas, as desconsidera e desrespeita. A luta pela igualdade de gênero em Israel agora se encontra em uma encruzilhada crítica, e o futuro das mulheres no país depende da mobilização e resistência de quem se opõe a esses retrocessos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: Ronen Zvulun