Min Aung Hlaing defende pleito em meio a críticas internacionais

Min Aung Hlaing afirma que eleições em Mianmar são livres, mas críticas internacionais questionam legitimidade do pleito.
O regime militar de Mianmar, sob a liderança de Min Aung Hlaing, está realizando eleições que se apresentam como um retorno à democracia, cinco anos após o golpe de Estado que destituiu o governo civil. No entanto, a legitimidade desse pleito é amplamente contestada pela comunidade internacional. Min Aung Hlaing afirmou que as eleições são “livres e justas”, uma declaração que ressoa de maneira contraditória no contexto atual, onde cerca de 22 mil presos políticos permanecem detidos em condições adversas.
O contexto das eleições em Mianmar
As eleições foram organizadas pelas próprias Forças Armadas, que alegam ter garantido um processo democrático. Contudo, observadores e críticos apontam que o pleito é uma tentativa de legitimar um regime que anulou os resultados das eleições de 2020, nas quais o partido da oposição, a Liga Nacional para a Democracia (LND), obteve uma vitória esmagadora. A LND e outras legendas que participaram daquela votação foram dissolvidas, e apenas partidos alinhados aos militares, como o Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), têm participação significativa no atual pleito.
Repressão e exclusões eleitorais
A guerra civil e a repressão militar resultaram na exclusão de milhões de cidadãos do processo eleitoral. Estima-se que 19 milhões de pessoas não foram recenseadas, o que indica uma significativa falta de representatividade. Além disso, a votação não ocorrerá em áreas controladas por forças rebeldes, e mais de um milhão de rohingyas apátridas também estão afastados do pleito.
A supervisão da Comissão Eleitoral
A Comissão Eleitoral da União, que supervisiona as eleições, é denunciada por não atuar de forma independente, já que está sob o controle militar. O chefe da comissão, Than Soe, é alvo de sanções internacionais por suas ações que minam a democracia no país.
O impacto das redes sociais e a repressão
Desde o golpe, o regime impôs restrições severas às redes sociais e aprovou leis que criminalizam protestos e críticas ao processo eleitoral. Essas medidas têm levado a um clima de medo e censura, dificultando o engajamento democrático.
Os resultados das eleições são esperados para o final de janeiro, mas a estrutura do governo militar garante que, independentemente dos resultados, uma proporção significativa das cadeiras no parlamento será reservada às Forças Armadas. Isso levanta sérias dúvidas sobre a real possibilidade de um retorno à democracia em Mianmar.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: SAI AUNG MAIN/AFP





