Impactos da seca e mudanças climáticas preocupam especialistas.

O Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água em 2025, refletindo a crise hídrica e os efeitos das mudanças climáticas.
A crise hídrica no Brasil
A perda de água no Brasil atingiu um patamar alarmante em 2025, com 400 mil hectares de superfície hídrica desaparecendo em apenas um ano. Esse número representa uma área mais que duas vezes maior que a cidade de São Paulo, um indicativo claro da crise hídrica que o país enfrenta. Os dados são do levantamento do MapBiomas Água, que revela uma perda acumulada superior a 2 milhões de hectares desde 1985, um dado que não pode ser ignorado.
Cenário atual dos mananciais
No final de 2025, a situação se torna ainda mais crítica, especialmente na região metropolitana de São Paulo. Os principais mananciais que abastecem a Grande SP, como o Sistema Cantareira e o Alto Tietê, estão operando com apenas 26,42% de sua capacidade. O governo estadual já implementou medidas como a redução da pressão na rede de água durante a noite para lidar com essa crise. Com a previsão de chuvas abaixo da média devido ao fenômeno La Niña, o Cantareira pode chegar a alarmantes 18% de seu volume útil até março de 2026.
Efeitos das mudanças climáticas
Os efeitos das alterações climáticas são visíveis em todo o Brasil. O observatório europeu Copernicus confirmou que o mundo ultrapassou a barreira de 1,5°C de aquecimento médio em 2024, resultando em fenômenos climáticos extremos, como as chamadas “secas relâmpago”. Esses eventos são responsáveis pela evaporação rápida da umidade do solo, afetando diretamente a agricultura e a saúde pública. Em São Paulo, os atendimentos por insolação aumentaram 27% em 2025, com mais de mil casos registrados entre janeiro e outubro.
A interconexão entre clima e saúde
A crise hídrica não é apenas uma questão de falta de água, mas também de saúde pública e segurança alimentar. A seca severa já atinge 100% do território do Rio de Janeiro e está causando prejuízos significativos em estados como Minas Gerais e Pernambuco. Relatos de mortandade animal no sertão pernambucano são cada vez mais comuns, refletindo o impacto devastador da estiagem.
Caminhos para a recuperação
O engenheiro florestal André Ferretti destaca que a preservação da água está intrinsicamente ligada ao uso sustentável da terra. Ele enfatiza que o setor privado deve se comprometer a cuidar das bacias hidrográficas para garantir a sobrevivência a longo prazo. A impermeabilização e o desmatamento criam um ciclo vicioso que agrava a escassez de água.
Apesar das dificuldades, Ferretti vê um avanço na conscientização da sociedade brasileira sobre as questões climáticas, especialmente com a realização da COP30 em Belém, que trouxe um novo “letramento climático” ao debate. Ele acredita que a natureza pode ser uma aliada na restauração do território, o que é fundamental para garantir a estabilidade econômica e social do país.
Conclusão
O Brasil se encontra em um momento crucial em sua história ambiental. A interconexão entre a preservação hídrica, saúde pública e desenvolvimento econômico é mais evidente do que nunca. O país precisa agir de forma integrada e preventiva para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





