Verminoses e giárdia: saúde dos soldados romanos na Inglaterra

Estudo revela a presença de parasitas entre tropas do Império Romano.

Estudo revela a contaminação de soldados romanos por verminoses e giárdia, destacando a falta de higiene em Vindolanda.

Os soldados do Império Romano na Inglaterra, especificamente no forte de Vindolanda, enfrentavam um sério problema de saúde que não se apresenta nos épicos da história militar: a infestação por verminoses. Um estudo recente revelou a presença de ovos de lombriga (Ascaris) e do verme-chicote (Trichuris), além de giárdia, um parasita microscópico, em sedimentos de latrinas da fortificação, indicando que a contaminação de alimentos e água era uma questão recorrente entre os militares.

O cotidiano dos soldados em Vindolanda

A fortaleza de Vindolanda, situada na antiga Bretanha, foi um dos pontos estratégicos do Império Romano durante a ocupação. Desde o fim do século 1 d.C., soldados de diversas origens, incluindo batavos, gauleses e espanhóis, habitaram o local. A infraestrutura do forte incluía banhos e um sistema de drenagem, que, embora avançado para a época, não impediu a contaminação fecal. O estudo liderado por Marissa Ledger, da Universidade McMaster, analisou amostras de sedimentos que revelaram a presença de parasitas, confirmando que a falta de higiene e o uso de esterco na agricultura contribuíam para a disseminação de doenças.

A pesquisa e suas descobertas

Os pesquisadores utilizaram técnicas de laboratório avançadas para filtrar sedimentos e identificar os ovos e cistos dos parasitas. A análise revelou que cerca de um terço das amostras coletadas continha ovos de vermes, com a presença de giárdia também confirmada. Esses achados não apenas evidenciam a saúde fragilizada dos soldados, mas também refletem o ambiente insalubre em que viviam, onde a higiene era precária e a contaminação por água e alimentos era comum.

Implicações para a saúde dos soldados

Além das verminoses, a pesquisa sugere que as mesmas condições que favoreciam a infestação por parasitas também poderiam ter contribuído para a disseminação de outras doenças, como surtos de conjuntivite entre os soldados. Documentos históricos de Vindolanda mencionam soldados fora de combate devido a problemas de saúde, o que pode estar relacionado à falta de cuidados higiênicos e ao ambiente deteriorado.

Através deste estudo, a saúde dos soldados romanos em Vindolanda é reexaminada, ressaltando que, apesar de sua formação militar e disciplina, as condições de vida muitas vezes os tornavam vulneráveis a infecções parasitárias e outras doenças, um contraste com a imagem heroica frequentemente associada a esses guerreiros.