Garantias de 15 anos discutidas em cúpula no Mar-a-Lago
Zelenski afirmou que Trump ofereceu garantias de segurança contra a Rússia por 15 anos, mas detalhes permanecem vagos.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou que Donald Trump ofereceu garantias de segurança por 15 anos contra uma nova invasão da Rússia, caso as negociações de paz avancem. A conversa ocorreu durante uma reunião na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, onde ambos passaram cerca de duas horas discutindo o futuro da Ucrânia.
Zelenski revelou que, nos documentos sobre a paz, as garantias de segurança são limitadas a 15 anos, mas ele expressou o desejo de que isso fosse estendido para 30, 40 ou até 50 anos. As garantias funcionariam como um seguro contra novas agressões, especialmente em um cenário de cessar-fogo, mas a Ucrânia ainda enfrenta desafios significativos, principalmente em relação às exigências territoriais da Rússia.
O Kremlin, por sua vez, reafirmou sua posição de que a Ucrânia deve ceder toda a região do Donbass. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, adotou um tom mais otimista sobre as conversas, embora tenha reiterado que a Rússia espera a devolução total do território histórico, incluindo as regiões de Lugansk e Donetsk, atualmente sob controle russo.
Zelenski também mencionou que a melhor opção para a Ucrânia seria a presença de tropas internacionais no país, uma proposta que Putin rejeita categoricamente. Ele já havia desistido da busca de adesão à Otan, que era um dos principais pontos de discórdia com a Rússia. Agora, busca um tipo de proteção similar ao artigo 5 da Otan, que prevê defesa mútua entre seus membros.
A incerteza sobre o que exatamente Trump está oferecendo continua a pairar sobre as negociações, já que o risco de um confronto direto entre a Otan e a Rússia é uma preocupação constante. Durante a administração Biden, o apoio militar à Ucrânia foi irrestrito, mas a disposição de Trump pode não ser tão clara.
Além disso, Zelenski enfrenta pressão interna com novas perdas militares reportadas no leste da Ucrânia. A situação no campo de batalha é tensa, e a agenda das conversas foi adiada para janeiro, frustrando o desejo de Trump de resolver o conflito ainda este ano. Dois grupos de trabalho russo-americanos serão formados para discutir garantias de segurança e questões econômicas relacionadas ao possível fim da guerra.
Zelenski, por sua vez, quer uma reunião entre negociadores americanos, europeus e ucranianos em Kiev em breve, com o intuito de refinar as propostas e alinhar as expectativas. Ele atualmente possui 20 pontos que abordam melhor as demandas ucranianas, em contraste com os 28 que foram anteriormente sugeridos por Trump com apoio russo.





