Movimentação de usuários de crack no centro de SP em 2025

A nova dinâmica dos grupos móveis após a dispersão da cracolândia.

A aglomeração na cracolândia se dispersou, mas a situação dos usuários de crack permanece crítica em São Paulo.

O cenário de usuários de crack no centro de São Paulo passou por mudanças significativas, mas a situação permanece alarmante. A antiga cracolândia, que durante anos foi um símbolo da crise de dependência química na cidade, agora se fragmentou em grupos menores que se dispersam pelas ruas, mantendo a realidade do consumo de drogas visível e ativa.

A nova configuração dos usuários de crack

A transformação no centro de São Paulo, onde antes havia uma concentração massiva de dependentes, agora apresenta um quadro de grupos móveis. Com a dispersão dos usuários, a gestão estadual afirma que o cenário de venda e uso de drogas ostensivo já não existe mais. No entanto, a realidade é que esses pequenos grupos ainda ocupam diversas calçadas, como mostrado em vídeos recentes que documentam o uso de crack na rua Apa e na alameda Glete.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou que a cracolândia acabou, mas essa afirmação encontra resistência entre especialistas e promotores que trabalham no campo da saúde pública. O promotor Arthur Pinto Filho contesta a narrativa oficial, afirmando que a situação não só persiste como se tornou mais difícil de monitorar devido à dispersão dos usuários. “Eles se atomizaram pela cidade”, explica.

Divergências nas abordagens governamentais

A Secretaria da Segurança Pública reforça o discurso de que a área anteriormente reconhecida como cracolândia não existe mais, enfatizando que agora se observam grupos transitórios. Por outro lado, a Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes (MDB), não declara o fim da cracolândia, mas aponta esforços contínuos para o acolhimento e tratamento das pessoas em situação de vulnerabilidade. A administração municipal destaca a atuação de equipes de assistência social que, diariamente, buscam oferecer apoio a essa população.

A realidade dos grupos móveis

A dispersão não é sinônimo de solução. No dia 22 de dezembro, grupos de cerca de 30 usuários foram vistos ocupando calçadas nas ruas Apa e General Júlio Marcondes Salgado. A movimentação constante dos usuários, que são frequentemente dispersos por viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana, revela a fragilidade do sistema de apoio e tratamento disponível. Muitos dependentes são forçados a se mover constantemente, o que dificulta o acesso a serviços de saúde e assistência social.

O psiquiatra Flávio Falcone, com mais de uma década de experiência na cracolândia, critica a abordagem atual, que se baseia fortemente na presença policial. Ele argumenta que a situação dos usuários piorou com a estratégia de dispersão, que não resolve o problema fundamental: a dependência química e a falta de suporte efetivo.

Conclusão: um problema persistente

Embora a cracolândia como a conhecíamos tenha se transformado, a presença de dependentes químicos no centro de São Paulo é um reflexo de um problema social mais profundo, que requer uma abordagem integrada e humanizada. A simples dispersão dos usuários não é uma solução, e a necessidade de um sistema de apoio robusto e acessível é mais urgente do que nunca. O desafio é encontrar formas eficazes de reintegração social e tratamento que realmente atendam a essa população vulnerável.