líder xavante que combateu ferrovia em seu território morre em acidente no mato grosso

Silvério Tsereburã foi uma voz ativa contra a Ferrovia de Integração Centro-Oeste e defensor dos direitos indígenas

O cacique Silvério Tsereburã, líder dos Xavante, faleceu em acidente de carro enquanto lutava contra a passagem de uma ferrovia em seu território no Mato Grosso.

O cacique Silvério Tsereburã Tserenhib’ru Xavante, líder da Terra Indígena Areões, em Nova Nazaré (MT), morreu no dia 3 de dezembro de 2025, aos 37 anos, em um acidente automobilístico na BR-158, próximo a Nova Xavantina. Silvério era uma figura central na resistência à passagem da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) por seu território, projeto que integra a Ferrovia Transoceânica e visa conectar os portos brasileiros ao Peru.

a luta contra a ferrovia e a defesa dos direitos indígenas

Durante sua vida, Silvério se destacou como um opositor firme da ferrovia que, para ele, representava uma ameaça direta às áreas de caça e pesca tradicionais do povo A’uwẽ, além de possibilitar a expansão das plantações de soja, o que poderia prejudicar o meio ambiente e a cultura local. Ele participou ativamente de mobilizações nacionais como o Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília e esteve presente na 3ª Marcha das Mulheres Indígenas. Em 2024, apoiou iniciativas internacionais, incluindo sessões no Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, reforçando o direito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) dos povos indígenas.

atuação política e legado na comunidade

Além de líder indígena, Silvério foi secretário de Assuntos Indígenas da Prefeitura de Nova Nazaré e concorreu a uma cadeira na Câmara de Vereadores pelo PSB em 2024, obtendo posição como suplente. Sua dedicação em diferentes frentes consolidou sua reputação como um defensor incansável das tradições e territórios Xavante, ganhando respeito dentro e fora de sua comunidade.

próximos passos

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) reconheceu a perda irreparável que a morte de Silvério representa para o povo Xavante e para a luta indígena no Brasil. Sua trajetória reafirma a necessidade de diálogo sensível e respeitoso em projetos de infraestrutura que impactem povos originários e seus territórios. A continuidade dessas discussões é vital para garantir direitos constitucionais e preservar a cultura indígena no país.