Droga para Artrite Reumatoide Impulsiona Qualidade de Rins em Transplantes

Estudo pioneiro usa anakinra para reduzir inflamação e ampliar sucesso no transplante renal

Droga para Artrite Reumatoide Impulsiona Qualidade de Rins em Transplantes
Estudo realizado pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto testou o anakinra para melhorar órgãos destinados a transplantes. Foto: Folhapress

Medicamento anakinra, aprovado para artrite reumatoide, pode reduzir inflamações em rins de doadores e ampliar o sucesso dos transplantes no Brasil.

Os resultados de uma pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), com apoio da Fapesp, indicam que o medicamento anakinra, utilizado no tratamento da artrite reumatoide, pode revolucionar o transplante renal no Brasil. A droga demonstrou capacidade de reduzir a inflamação em rins de doadores falecidos antes do transplante, o que contribui para melhorar a função do órgão e aumentar seu aproveitamento.

Contexto do Transplante Renal no Brasil e Desafios Atuais

No Brasil, entre 60% e 70% dos pacientes que recebem rins de doadores falecidos desenvolvem insuficiência renal aguda temporária após o transplante. Essa taxa é cerca de duas vezes maior do que a observada em países da Europa e nos Estados Unidos. Esse cenário é influenciado principalmente pelo tempo prolongado de preservação dos órgãos sob condições de isquemia fria, o que pode levar a um ‘adormecimento’ do rim, retardando sua recuperação e aumentando o tempo de internação do paciente.

Além disso, órgãos provenientes de doadores classificados como “critérios estendidos” — geralmente pessoas mais idosas ou com comorbidades — apresentam maior risco de mau funcionamento a longo prazo e são frequentemente descartados. Melhorar a qualidade desses rins é fundamental para ampliar a oferta e o sucesso dos transplantes.

Resultados do Estudo com Anakinra e Perfusão Renal

O estudo premiado no Congresso Latino-Americano de Transplantes (outubro de 2025) avaliou o anakinra aplicado durante a perfusão hipotérmica e normotérmica em rins de suínos, que possuem anatomia e fisiologia renal semelhantes à humana. A droga mostrou eficácia em:

Redução da inflamação: Diminuição significativa da expressão de citocinas inflamatórias, responsáveis pelo dano ao tecido renal.
Segurança: Não provocou lesões nem afetou a função renal, indicando segurança para uso futuro em humanos.

Tecnologias e Desafios para Preservação de Órgãos

A máquina de perfusão renal, que mantém o órgão irrigado e oxigenado, é uma tecnologia promissora para preservar rins, diminuindo danos por isquemia fria. Contudo, seu alto custo limita o uso no Brasil — apenas um centro transplantador a utiliza rotineiramente.

Custo por órgão perfundido: Aproximadamente R$ 15 mil adicionais, elevando em torno de 50% o custo do transplante no SUS.
Benefícios a longo prazo: Redução de complicações e tempo de internação, com possível economia para o sistema de saúde.

Em contrapartida, a perfusão estática em solução fria, usada na maioria dos centros, é mais acessível, porém menos eficaz.

Próximos Passos e Potencial Impacto Clínico

O grupo de pesquisa planeja avançar para testes com rins humanos descartados, em parceria com um centro nos Estados Unidos, a partir de 2026. Se os resultados forem confirmados, o anakinra poderá ser testado em condições de preservação estática, ampliando seu acesso nos centros transplantadores brasileiros.

Este desenvolvimento pode:

Aumentar a disponibilidade de rins viáveis para transplante.
Reduzir o tempo de diálise e hospitalização pós-transplante.
Diminuir custos relacionados a complicações e internações prolongadas.

Serviço e Segurança para Pacientes e Profissionais

Para pacientes e familiares interessados em transplantes renais, é importante estar atento a:

Consultas regulares: Para avaliação de condições que podem afetar a função renal.
Informação sobre avanços científicos: Novas opções de tratamentos e preservação podem influenciar o sucesso do transplante.
Contato com centros especializados: Esclarecer dúvidas e acompanhar protocolos adotados.

Para os profissionais da saúde, acompanhar estudos como o do anakinra é essencial para atualizar práticas clínicas e oferecer melhores resultados aos transplantados.

O avanço científico no uso do anakinra representa uma esperança real para melhorar a qualidade dos rins disponíveis para transplante e otimizar a recuperação dos pacientes, alinhando-se às necessidades da saúde pública brasileira em 2026.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress