Ministério tenta incluir irmãos Batista em leilão da hidrovia do Rio Paraguai

Antaq barra participação por risco de monopólio; disputa sobre papel regulatório segue no TCU

Ministério tenta incluir irmãos Batista em leilão da hidrovia do Rio Paraguai
Vista aérea da hidrovia do Rio Paraguai, corredor estratégico para escoamento de grãos no Centro-Oeste brasileiro. Foto: Folhapress

Ministério de Portos defende participação do grupo J&F no leilão da hidrovia do Rio Paraguai, mas Antaq recusa por risco de monopólio e conflito de interesses.

O leilão da hidrovia do Rio Paraguai, um dos corredores logísticos mais importantes para o escoamento de grãos da região Centro-Oeste do Brasil, está no centro de uma disputa entre o Ministério de Portos e Aeroportos e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O foco da controvérsia é a tentativa do Ministério de permitir a participação da LGH Mining, empresa do grupo J&F controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, apesar da recusa da agência reguladora baseada no risco de monopólio.

A importância estratégica da hidrovia do Rio Paraguai

Com cerca de 600 quilômetros de extensão, a hidrovia do Rio Paraguai é uma rota essencial que integra as bacias nacionais e internacionais, ligando o Brasil ao Paraguai e à Bolívia, facilitando o fluxo de cargas e contribuindo para a competitividade do agronegócio brasileiro. Atualmente, movimenta aproximadamente 9 milhões de toneladas por ano, com perspectiva de crescimento para 15 milhões de toneladas.

A concessão da operação da hidrovia está prevista para durar 15 anos, com um investimento estimado de R$ 63,7 milhões, que inclui manutenção da calha, fiscalização, segurança e sinalização. A empresa vencedora do leilão terá direitos para cobrar tarifas de usuários, em troca da prestação dos serviços essenciais.

Divergências entre Ministério e Antaq sobre participação no leilão

A Antaq vetou a participação da LGH Mining no certame, alegando que a empresa é uma das maiores usuárias da hidrovia e que sua inclusão no leilão poderia resultar em conflito de interesses, favorecimento próprio e tratamento desigual dos concorrentes, configurando risco de monopólio. A agência posicionou-se com base em suas competências regulatórias, rejeitando interferência política na definição das regras do leilão.

Por outro lado, o Ministério de Portos inicialmente acatou a recomendação da Antaq, mas posteriormente, após “market sounding” (sondagem de mercado), reviu sua posição e defendeu que a LGH Mining fosse autorizada a competir, argumentando que o processo foi estruturado com base em estudos técnicos e ampla participação social, incluindo 158 contribuições válidas de diversos setores.

Pontos principais da divergência:

Ministério de Portos: Defende a participação da LGH Mining, com base em análises técnicas e contribuições do mercado.
Antaq: Rejeita a inclusão da empresa para evitar riscos de monopólio e conflito de interesses, ressaltando que a definição das regras é prerrogativa da agência, não do Ministério.

O papel do Tribunal de Contas da União (TCU)

O impasse segue para avaliação do TCU, que analisará o edital de concessão após o recesso, prevista para o dia 16 de janeiro. A corte tem a responsabilidade de garantir que o processo licitatório observe a legalidade, transparência e concorrência justa, avaliando também a separação das atribuições entre órgãos reguladores e a pasta responsável pela política pública.

Serviço e Segurança: Impactos para o transporte aquaviário no verão 2026

Importância para o agronegócio: A hidrovia é crucial para o escoamento eficiente de grãos do Centro-Oeste, fundamental para a economia brasileira.
Investimentos previstos: R$ 63,7 milhões para manutenção e operação da via fluvial.
Duração da concessão: 15 anos, garantindo estabilidade para o setor privado e continuidade dos serviços.
Segurança e fiscalização: Responsabilidades essenciais da concessionária para garantir navegabilidade e proteção ambiental.

A definição clara das regras do leilão e a participação justa dos interessados são decisivas para o sucesso desta concessão estratégica, especialmente no contexto do Verão 2026, quando o fluxo logístico tende a aumentar, e a segurança no transporte aquaviário se torna ainda mais prioritária.

Mantendo o equilíbrio entre a atuação política e a regulação técnica, o leilão da hidrovia do Rio Paraguai reflete os desafios do setor de infraestrutura no Brasil, com impactos diretos na competitividade do agronegócio e no desenvolvimento regional.

Acompanhe as atualizações deste processo junto ao Tribunal de Contas da União e as definições das agências reguladoras para entender os próximos passos deste importante certame.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress