Oferta limitada e queda na produção ameaçam a estabilidade do feijão-carioca, essencial para famílias de baixa renda

Baixos estoques e redução na área plantada indicam alta nos preços do feijão em 2026, impactando principalmente o consumidor brasileiro de menor renda.
O mercado brasileiro enfrenta uma situação preocupante em 2026: os estoques de feijão estão em níveis baixos, suficientes para apenas cerca de 15 dias de consumo, muito abaixo do padrão histórico de 60 dias. Esse cenário sinaliza uma provável elevação dos preços da leguminosa nos próximos meses, com impacto direto no bolso do consumidor, sobretudo para o feijão-carioca, principal alimento das famílias de menor renda.
Contexto da produção e oferta do feijão no Brasil
Nos últimos anos, a produção de feijão no Brasil apresentou queda contínua, motivada por preços historicamente baixos e pela competição com culturas mais lucrativas, como soja e milho. A área plantada para a temporada 2025/26 está estimada em 796 mil hectares na primeira safra, uma redução significativa se comparada a quase 1 milhão de hectares cultivados há dez anos. No total, o plantio nas três safras previstas para a temporada deve atingir cerca de 2,63 milhões de hectares, menos da metade do pico de 5,8 milhões registrado em 1995/96.
Outro fator relevante é a substituição crescente do feijão-carioca por variedades como mungo e caupi, voltadas principalmente para exportação. Essa mudança pode resultar na menor safra de feijão-carioca em duas décadas, o que agrava a pressão sobre a oferta interna e tende a gerar maior instabilidade nos preços do varejo.
Diminuição da demanda e mudanças no consumo brasileiro
Apesar da oferta mais restrita, os preços ainda não reagiram com força devido à fraqueza da demanda doméstica. Dados da Embrapa indicam que o consumo per capita de feijão caiu de uma média de 23 quilos anuais na década de 1960 para apenas 14 quilos em 2024, o menor índice da série histórica. Essa retração reflete mudanças nos hábitos alimentares, com o feijão perdendo espaço para alimentos processados e ultraprocessados.
Essa diminuição é especialmente acentuada para o feijão-carioca, elemento fundamental na dieta do brasileiro. O aumento dos preços pode ampliar essa retração, tornando o produto menos acessível para as camadas de menor poder aquisitivo e incentivando o consumo de substitutos mais baratos.
Fatores que influenciam o mercado e perspectivas para 2026
Estoque atual: Capacidade para apenas 15 dias de consumo, bem abaixo dos 60 dias considerados ideais.
Área plantada: Redução contínua, impulsionada por preços baixos e concorrência agrícola.
Produção de feijão-carioca: Expectativa de menor safra em 20 anos, concentrada no Paraná e Minas Gerais.
Exportações: Crescimento de 6,3% em 2025, impulsionadas por variedades menos consumidas internamente.
Demanda interna: Enfraquecida, com queda histórica no consumo per capita.
Substituição de culturas: Crescente plantio de mungo e caupi em detrimento do carioca.
Apesar das dificuldades, ainda existe a possibilidade de mitigar os impactos na próxima safra, que inicia em fevereiro, incentivando o plantio na segunda safra para ampliar a oferta.
Serviçoe recomendações para produtores e consumidores
Produtores: Avaliar a possibilidade de ampliar a área plantada na segunda safra para equilibrar a oferta e aproveitar potenciais aumentos de preço.
Consumidores: Ficar atentos às variações de preço e considerar alternativas alimentares equilibradas para manter a qualidade nutricional.
- Mercado: Monitorar os estoques e a demanda para ajustar estratégias de comercialização e importação/exportação.
O cenário para o feijão em 2026 exige atenção de todos os elos da cadeia produtiva para garantir o equilíbrio entre oferta, preço e acessibilidade, especialmente para as populações que dependem dessa leguminosa como base alimentar.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Sebastião Araújo/Embrapa





