Alimentos sobem menos que a inflação em 2025 apesar de alta acumulada

Supersafra e preços internacionais amenizam aumento dos alimentos no Brasil

Alimentos sobem menos que a inflação em 2025 apesar de alta acumulada
Supermercado em São Paulo com diversos alimentos nas prateleiras. Foto: Folhapress

Em 2025, alimentos tiveram alta de 2,29%, ficando abaixo da inflação geral de 3,83% em São Paulo, influenciados por supersafra e acomodação dos preços globais.

A inflação dos alimentos voltou a crescer em ritmo menor que a inflação média geral em São Paulo durante o ano de 2025, uma tendência que reflete uma combinação de fatores positivos tanto no mercado interno quanto no externo. Enquanto os alimentos subiram 2,29%, o índice geral da inflação registrou 3,83%, apontam dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Esta é a terceira vez na última década que o custo com alimentação tem aumento inferior ao índice médio dos demais itens.

Produção recorde e clima favorável ajudam a conter preços

O cenário nacional foi marcado por uma supersafra inédita de grãos, alcançando 354 milhões de toneladas, com destaque para alimentos básicos como arroz e feijão, que tiveram aumento na produção. Diferente dos anos anteriores, o clima durante o ciclo agrícola foi mais favorável, contribuindo para uma oferta maior e mais estável dos produtos.

Além disso, a produção de carnes também atingiu um recorde, ultrapassando 33 milhões de toneladas, o que colaborou para reduzir a pressão nos preços internos. Em 2024, o setor alimentício havia registrado um aumento de 8% nos preços, mostrando que a desaceleração em 2025 é significativa.

Fatores internacionais ajudam a estabilizar os custos no Brasil

No âmbito global, os preços dos alimentos passaram por um processo de acomodação após anos de alta expressiva, sobretudo em consequência da pandemia e dos conflitos internacionais. A valorização mais estável do dólar e a redução dos valores externos contribuíram para limitar a inflação doméstica dos alimentos.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) registrou que os preços médios agrícolas no campo em 2025 ficaram abaixo dos níveis de 2024, com quedas expressivas, como a do arroz, que teve retração de até 37%. No varejo, o consumidor sentiu essa redução, pagando 26% a menos pelo arroz em comparação ao ano anterior.

Variações por produto: café em alta e arroz em queda

Enquanto o arroz e o feijão apresentaram queda nos preços, o café arábica registrou forte alta, de 66% no campo e 36% para o consumidor. Este aumento está ligado a quebras de safra em países produtores e aumento do consumo global, o que reduziu os estoques mundiais de café, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Paralelamente, a pecuária bovina brasileira manteve-se em destaque, com produção superior a 12 milhões de toneladas, colocando o país como líder mundial no setor e registrando receitas recordes de exportação, que chegaram a US$ 18 bilhões em 2025.

Panorama acumulado e perspectivas para o futuro

Apesar da desaceleração em 2025, a alta acumulada dos preços dos alimentos desde 2019 é de 76%, significativamente maior que a inflação média geral do período, que foi de 46%. Produtos como café e óleo de soja tiveram elevações acumuladas de até 236% e 188%, respectivamente.

Esse movimento de alta foi influenciado por problemas sanitários em grandes mercados, como a China, e agravado pela pandemia e conflitos geopolíticos, que reduziram os estoques globais de alimentos. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o índice mundial de preços dos alimentos caiu 14% em novembro de 2025 em relação à média de 2022, principalmente pela queda de 32% nos preços dos cereais.

O USDA projeta uma evolução positiva dos estoques mundiais para a safra 2025/26, com crescimento nos estoques de arroz, milho, trigo e soja, indicando uma tendência de maior oferta e possível estabilidade nos preços nos próximos meses.

Serviço e Segurança para o Consumidor

Monitoramento de preços: Consumidores devem acompanhar os índices oficiais como os da Fipe para planejamento dos gastos domésticos.
Preferência por produtos da safra: Optar por alimentos produzidos nas safras recentes pode garantir preços mais acessíveis.
Informação sobre importação e câmbio: A estabilidade do dólar e condições internacionais influenciam diretamente os preços locais.
Atenção à variação por produto: Alguns alimentos, como café, ainda podem apresentar variações significativas nos preços.

Com a combinação de supersafras nacionais e acomodação dos preços no mercado internacional, a tendência para o consumidor brasileiro é de maior controle nos custos alimentares em 2026, reforçando a importância de políticas e práticas que promovam equilíbrio entre oferta e demanda no setor agrícola.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress