Crise econômica e repressão marcam os atos que atingem todas as províncias iranianas em 2026

Protestos contra o governo iraniano se ampliam em 300 cidades, com cortes de internet e repressão rígida do líder Ali Khamenei.
Os protestos no Irã se intensificaram e agora abrangem as 31 províncias do país, refletindo uma crise que combina dificuldades econômicas e insatisfação política. A chave para entender esse cenário é o aumento da inflação, desvalorização da moeda local e escassez de recursos básicos, que têm impulsionado manifestações populares em centenas de cidades.
Contexto das manifestações e crise econômica
O movimento começou a ganhar força no final de dezembro de 2025, quando a inflação anual atingiu 42,5%, corroendo o poder de compra da população e elevando o custo dos bens importados. A grave crise hídrica, que levou o governo a solicitar a evacuação de Teerã, agravou ainda mais o descontentamento social. Essas tensões se somam a um histórico recente de protestos, incluindo os grandes levantes de 2009, 2017, 2019 e 2022-23, motivados por diferentes causas, mas agora convergindo em uma ampla insatisfação contra o regime teocrático.
A resposta do governo tem sido rigorosa: além das ações repressivas nas ruas, houve cortes significativos no acesso à internet e nas comunicações telefônicas, dificultando a organização e divulgação dos protestos. O próprio líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, condenou as ações dos manifestantes e os acusou de agir como mercenários de interesses estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos e Israel.
Principais eventos e pontos de conflito
Teerã: Capital do país teve sua noite mais agitada desde o início dos protestos, com incêndio em prédio público e veículos queimados.
Mashhad: Segunda maior cidade, com protestos de grande escala durante a madrugada.
Província de Fars: Manifestantes derrubaram a estátua do general Qassem Suleimani, símbolo nacional e militar icônico.
Região Oeste (província de Ila): Maior número de mortes e início dos protestos, devido à composição étnica e tensões fronteiriças.
Cidades como Isfahan: Presença de atos isolados que se ampliaram em violência e participação popular.
Medidas do governo e ameaças do líder supremo
Ali Khamenei, em discurso contundente, enfatizou que não haverá tolerância para ações que ele definiu como mercenárias, dirigidas por potências estrangeiras. O governo reforçou a repressão por meio da Guarda Revolucionária, que tem aumentado a presença nas ruas e intensificado detenção e repressão aos manifestantes.
A censura à comunicação tem sido rigorosa, com bloqueios constantes em linhas de telefone e internet, dificultando a coordenação das manifestações, que são majoritariamente articuladas por aplicativos de mensagens instantâneas. Essa estratégia visa conter a expansão dos protestos, mas também gera dificuldades para a população e aumenta a tensão social.
Impactos regionais e política interna
A instabilidade atual ocorre num momento delicado para o Irã, que ainda enfrenta impactos da guerra regional entre Israel, Hamas e aliados, agravados pela intervenção militar dos EUA em 2025.
A morte do presidente Ebrahim Raisi em 2024 em acidente aéreo nebuloso deixou um vácuo político que ainda repercute internamente.
A oposição não possui liderança unificada, mas o príncipe herdeiro Reza Pahlavi, exilado nos EUA, tem chamado a população a protestar pacificamente, ganhando apoio principalmente entre os jovens.
Cenário para os próximos meses e perspectivas
A continuidade dos protestos dependerá da capacidade do regime iraniano de equilibrar repressão e concessões políticas. O agravamento da crise econômica e social pode ampliar o descontentamento, enquanto a repressão rígida pode intensificar confrontos e instabilidade.
O acompanhamento internacional permanece atento, especialmente considerando as relações tensas entre Irã, Estados Unidos e aliados regionais, que podem influenciar diretamente o desdobramento interno.
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Este panorama detalhado busca fornecer clareza sobre os fatores que impulsionam os protestos no Irã, o perfil das manifestações e as respostas adotadas pelo governo, essenciais para compreender as complexas dinâmicas políticas e sociais da região em 2026.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Redes sociais/Reuters





